O globo, n.31377, 04/07/2019. Economia, p. 14

 

Montezano começa a escolher diretores para assumir BNDES

Rennan Setti 

04/07/2019

 

 

O Conselho de Administração do BNDES aprovou ontem a nomeação do engenheiro Gustavo Montezano para o comando do banco. Isso abre caminho para que o secretário-adjunto da Secretaria Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados assuma oficialmente a presidência do BNDES em substituição ao economista Joaquim Levy, que pediu demissão no mês passado. Aposse ainda não foi marcada, mas o executivo chegou ontem à sede do banco, no Rio, para uma série de reuniões de trabalho. Segundo fontes do governo, ele já decidiu por pelo menos duas nomeações para a sua diretoria: Fábio Almeida Abrahão para a área que cuida das desestatizações e Petrônio Duarte Cançado para a que trata da concessão de crédito. Ambos são próximos ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

As nomeações foram antecipadas pelos colunistas do GLOBO Ancelmo G ois e Lauro Jardim. Abra hão, que acompanha Montezano em suas reuniões no Rio esta semana, é atualmente assessor especial de Guedes. O engenheiro de 40 anos fez carreira nos setores de logística e infraestrutura. Ele passou pela consultoria especializada em logística Ilos e fundou a companhia de investimentos Infra Partners. Há um mês, Abrahão já havia sido eleito para uma das cadeiras no Conselho Fiscal do BNDES, na vaga de indicação do Ministério da Economia, com mandato até 2021.

A interlocutores, o novo presidente do BNDES já disse que os projetos de desestatização que estão a cargo do banco serão uma das prioridades de sua gestão e que seu desejo é acelerá-las. Atualmente, a área de desestatização do BNDES está sob responsabilidade da diretora de Investimentos, Eliane Lustosa. Ela é a mais antiga na diretoria do BNDES. Entrou em 2016, na gestão de Maria Silvia Bastos Marques, e foi mantida pelos sucessores Paulo Rabello de Castro, Dyogo Oliveira e Joaquim Levy. Segundo fontes, ela já indicou que deixará o banco, mas teria semostrado disposta aficar pelo período de transição que Montezano achar necessário.

Para a área de crédito do BNDES, Paulo Guedes indicou para Montezano o engenheiro Petrônio Duarte Cançado, de 46 anos. Ele é considerado pupilo do ministro, de quem foi sócio na gestora BR Investimentos entre 2008 e 2011. Passou também pelas áreas de crédito do Unibanco e do Pactual e pelas gestoras Vinci Partners e RB Capital. Foi ainda diretor financeiro da Austral Resseguradora.

INDEFINIÇÃO NA CÚPULA

Hoje, a área de crédito do BNDES está sob responsabilidade do diretor de finanças José Flávio Ramos, que ocupa a presidência do banco interinamente até aposse de Montezano.

— Petrônio trabalhou por muitos anos com Guedes, os dois são amigos. Ele é um quadro técnico e competente, que atua há décadas na área de crédito.Está animado como desafio. Só o preocupa a exposição do cargo em caso de eventual acirramento político em torno do banco — disse uma pessoa próxima a Cançado.

Não está claro ainda se os novos diretores vão substituir os que tratam dessas áreas atualmente no banco ou se o desenho da diretoria será reformulado para acomodá-los em outras posições. Hoje, há duas diretorias consideradas vagas, e diretores acumulam mais de uma área. O diretor que cuida de recursos humanos, por exemplo,é o mesmo que responde por tecnologia e planejamento.