Título: Haddad mantém vantagem sobre Serra
Autor: Colares, Juliana
Fonte: Correio Braziliense, 25/10/2012, Política, p. 7

Pesquisas divulgadas ontem mostram que, apesar do crescimento modesto nas intenções de voto, candidato tucano à prefeitura de São Paulo ainda está distante do rival petista. A três dias da votação, adversários participam de debate

Se os resultados das pesquisas se confirmarem nas urnas daqui a três dias, Fernando Haddad (PT) ganha a disputa pela prefeitura de São Paulo com folga. O Ibope e o Datafolha divulgaram, ontem, levantamentos que mostram o candidato petista com os mesmos 49% das intenções de votos verificados anteriormente. O que oscilou um pouco foi o resultado de José Serra. No Ibope, o candidato do PSDB aparece com 36%, três pontos percentuais a mais que no levantamento anterior. Já segundo o Datafolha, o tucano subiu de 32% para 34%, mas permanece 15 pontos atrás do adversário. As margens de erro são de três pontos percentuais no Ibope e dois pontos no Datafolha.

Excluindo-se os brancos e os nulos, Haddad teria 57%, e Serra, 43%, segundo o Ibope, que entrevistou 1.204 eleitores entre 22 e 24 de outubro. Na pesquisa do Datafolha, que ouviu 2.804 pessoas nos dias 23 e 24, Haddad crava 60% dos votos válidos contra 40% de Serra. De acordo com esse levantamento, a taxa de rejeição do tucano é de 52%, enquanto a do petista é de 36%.

Os resultados positivos para Haddad também se confirmam na análise de favoritismo realizada pelo Ibope. O candidato passou de 45% para 52% e agora chegou a 58%. Já o de Serra vem caindo em proporção semelhante. Diminuiu de 44% para 36% e, depois, para 31%. A pesquisa do Ibope foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob a inscrição SP-01912/2012 e a do Datafolha, SP-01910/2012.

Difícil reversão “Acredito que o que as pesquisas apontam vai se confirmar nas urnas. É muito difícil reverter. Não acho que haja mensalão que consiga alterar esse resultado”, analisou o diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto Queiroz. Na opinião dele, apesar de o PT estar envolvido no maior escândalo político de sua história, tem lançado para cargos públicos o que o analista chama de “pessoas intocáveis do ponto de vista ético”, categoria que incluiria Haddad. “Ele (o candidato petista) não tem qualquer fato na vida pública que comprove atitude condenável do ponto de vista ético e moral. A pecha de corrupto não pega nele”, disse Queiroz, para quem o mensalão não atrapalhou a candidatura do PT em São Paulo.

Serra, no entanto, ainda parece acreditar que o julgamento vai barrar os planos do adversário. Ontem, em debate realizado pelo SBT e pelo UOL, o tucano continuou se valendo dessa arma. Haddad rebateu, afirmando que tem 12 anos de vida pública e uma reputação ilibada. Além da corrupção, os dois também trocaram farpas sobre outros temas, como a saúde.

Aécio e Marina em palanques distintos

A disputa eleitoral em Campinas (SP), polarizada entre PT e PSB, pôs em lados opostos no palanque o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e a candidata derrotada à Presidência da República em 2010 Marina Silva (sem partido). Em ato de apoio ao candidato do PSB, Jonas Donizette, Aécio esteve ontem no município paulista e disse que, nestas eleições, pediu mais votos para concorrentes do partido socialista do que para a própria legenda. “Coloquei mais 40 no peito (número do PSB nas urnas) do que 45 (PSDB).” O tucano ainda atacou a presidente Dilma Rousseff e ministros petistas por adotarem um discurso “da ditadura” ao prometerem privilégios na transferência de recursos federais a prefeitos apoiados pelo PT. No mesmo horário em que Aécio discursava, Marina Silva participava de evento ao lado de Marcio Pochmann, candidato petista em Campinas. “Hoje, estou num movimento suprapartidário, que não sei se vai virar um partido. Mas luto para que o ideal da sustentabilidade seja fortalecido pelos 20 milhões de votos que tive na eleição presidencial”, disse Marina.