Título: Natal movido a IPI reduzido para carros
Autor: Bancillon, Deco
Fonte: Correio Braziliense, 25/10/2012, Economia, p. 15

Palácio do Planalto garante o corte do Imposto sobre Produtos Industrializados até o fim do ano, com o intuito de estimular o consumo

O brasileiro que acreditava ter menos de uma semana para comprar o carro zero ainda com o desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ganhou mais tempo para pesquisar preços e modelos. Ontem, ao visitar o Salão do Automóvel de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff anunciou a prorrogação do benefício por mais dois meses. Agora, a isenção valerá até 31 de dezembro de 2012. Com isso, o governo abrirá mão de R$ 800 milhões em receitas nos dois últimos meses do ano. A meta é estimular o consumo interno e garantir que o Natal seja melhor do que o de 2011, quando parte das encomendas do varejo ficou encalhada por falta de pedidos. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixou claro, porém, que essa será a última prorrogação do benefício

Para o chefe do departamento econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, a decisão do governo é positiva, sobretudo por vir num momento em que a economia dá sinais de recuperação. “Além do IPI menor, que sem dúvida ajuda as vendas, a atividade interna está começando a crescer mais. Já no ano passado, nessa época, a economia estava começando a declinar”, lembrou.

Estoques No que depender das montadoras, o fim de ano tem tudo para superar 2011. Com a prorrogação do IPI, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) espera que as vendas de autos e comerciais leves ultrapassem as 3,67 milhões de unidades, um recorde histórico para o setor. Isso garantirá um resultado 6% maior ante o ano passado. As montadoras esperam que o volume atual de vendas diárias, de 16,3 mil veículos, se mantenha até o fim de dezembro, um aumento de 30% no volume de emplacamentos verificados em maio deste ano, antes do o IPI menor.

O benefício dado pelo governo também ajudará a indústria a desovar estoques. Até maio, o total de carros parados nos pátios à espera de comprador chegava a 43 dias de vendas. Hoje, o encalhe corresponde a 30 e 32 dias, o que já corresponde à normalidade do prazo médio de reposição, segundo estimativas da Anfavea. Diante desse quadro, o governo acredita que já é hora de as empresas darem um passo adiante na retomada dos investimentos. Questionado pelo Correio sobre qual impacto a medida anunciada ontem teria sobre os estoques, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi enfático: “Se os estoques estão normalizados, isso significa que eles (empresários da indústria) têm que aumentar a produção e o investimento (no Brasil)”.

Ainda que não tenha exigido que as montadoras destinem mais recursos para ampliação de fábricas como condição para aproveitar o benefício da isenção do IPI, a equipe econômica espera que os investimentos do setor se ampliem neste fim de ano. “O Brasil, hoje, é um dos poucos países que está atraindo novos investimentos na indústria automobilística. Nos outros países, estamos vendo anúncios de fechamento de fábricas de automóveis. Mas aqui, nós queremos que a indústria automobilística cresça, indiferente à crise que afeta as outras economias”, disse Mantega.

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Confira como será a redução do IPI, estendida pelo governo

Carros nacionais (validade 31/12/2012) Motor IPI normal IPI reduzido 1.0 7% 0% Até 2.0 11% a 13% 5,5% a 6,5% Utilitários 4% 1%

Carros importados (validade 31/12/2012) Motor IPI normal IPI reduzido

1.0 37% 30% Até 2.0 41% a 43% 35,5% a 36,5% Utilitários 34% 31%

Fonte: Ministério da Fazenda