O globo, n.31373, 30/06/2019. Economia, p. 29
OAS está perto de sair da recuperação judicial
Henrique Gomes Batista
João Sorima Neto
30/06/2019
A expectativa do mercado é que o anúncio seja feito nas próximas semanas ou, no máximo, em poucos meses, justamente quando a Odebrecht dá os primeiros passos na negociação de suas dívidas com credores
Enquanto a Odebrecht dá os primeiros passos na recuperação judicial, a OAS deve encerrar formalmente, nas próximas semanas, ou no máximo em poucos meses, o processo iniciado em março de 2015, segundo fontes próximas à empresa.
Antes da Lava-Jato, Odebrecht e OAS disputavam ou dividiam, porme iode consórcios, obras bilionárias no Brasil que se preparava para grandes eventos esportivos, ainda longe da recessão. As duas empreiteiras de origem baiana viviam um forte processo de internacionalização e diversificação.Mas, coma Lava-Jato, as duas passaram a viver as piores fases de suas histórias. Aforma como elas vislumbraram o caminho de recuperação, contudo, foi totalmente diferente. Também abalada pelas investigações, sem acessoa crédito e como caixa debilitado, a OAS recorreu à recuperação judicia lu mano depois de iniciados os problemas. A rapidez da decisão foi decisiva para salvara empresa, dizem especialistas.
O endividamento, que beirou os R$ 10 bilhões, agora está em R$ 2,8 bilhões. Para conseguir essa redução, a empresa se desfez de muitos ativos — incluindo o lucrativo Aeroporto Internacional de São Paulo; o metrô do Rio; a Linha Amarela, no Rio; a Rodovia Rio-Teresópolis eoVLT carioca. Além disso, cortou funcionários e mudou sua sede em bairro nobre parau ma área industrial. Viu seu faturamento cair quase R$ 8 bilhões, em 2013, para o patamar de R$ 1 bilhão, previsto para 2019. Em uma postura diferente da adotada pela Odebrecht, passou a aceitar obras menores e a abrir mão de liderar projetos. A OAS fechou parcerias com cerca de 30 empresas de diversos países, inclusive asiáticas, que voltaram-se ao país para abocanhar o mercado de combalidas empresas brasileiras. Sua carteira de obras agora gira em torno de R$ 5,5 bilhões. Procurada, a empresa preferiu não responder. Embora a Odebrecht tenha demorado a recorrer à reestruturação de sua dívida, a maior da história no Brasil, o conglomerado também tem chances de se reerguer, dizem especialistas. Mas o processo pode levar mais tempo.
— As duas construtoras são baianas, com atuação no Brasil e no exterior e ligações com o poder, mas na Odebrecht tudo é mais complexo. Com uma estrutura gigantesca, que chegou ater 193 mil funcionários, é claro que seriama is complicado chegarà decisão de recorrera uma recuperação judicial. Adí vidada Odebrech té de R$ 98,5 bilhões, enquanto a dívida da OAS que foi reestruturada era de R$ 10 bilhões. Além disso, desde que a Odebrecht foi flagrada em esquemas de corrupção, houve brigas entre pai e filho, que eram o cérebro da empresa. Isso dificultou ainda mais qualquer tomada dedeci são—analisou o professor Sandro Cabral, coordenador do mestrado de políticas públicas do Insper.
SAÍDA DA SUPERVIA
Ele cita o caso da venda da SuperVia, que era controlada pela Odebrecht TransPort, como exemplo. Só depois de quase um ano de análise, o Cade autorizou no início deste ano que a Odebrecht vendesse suas ações da Super Via aos japoneses da Mitsui, que jáeram sócios na companhia. — Mesmo precisando vender ativos, as coisas não são fáceis quando se trata de Odebrecht —observou Cabral.
VENDA DE ATIVOS VALIOSOS
Especialistas ouvidos pelo GLOBO acreditam que a empresa terá que se desfazer de seu sativos mais valiosos, especialmente a Braskem, eprec isa que a economia retome o fôlego para que grandes projetos sejam reativados.
— A Odebrecht não é só uma usina de falcatruas. O grupo ainda tem um corpo técnico de excelente qualidade, que permanece na empresa. Fez obras importantes, se esforço upara mudara governança e, nesse sentido, está sob supervisão do departamento de Justiça dos Estados Unidos. Tem tudo para se reerguer, embora não seja possível estimar em quanto tempo. Será uma Odebrecht enxuta, provavelmente focada apenas na construção civil. É om esmoca minhoque a OAS trilhou —diz Cabral.