Título: Emigrantes vão poder visitar ilha
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Fonte: Correio Braziliense, 26/10/2012, Mundo, p. 31
Medida valerá a partir de 14 de janeiro e também favorecerá médicos e atletas desertores» THAIS DE LUNA
No segundo anúncio em oito dias de medidas de abertura migratória, o regime de Raúl Castro divulgou que aqueles cubanos que fugiram da ilha depois de 1994 terão menos restrições para retornar ao país. As iniciativas também favorecem atletas e médicos que abandonaram missões no exterior entre 1990 e 2004, quem emigrou de maneira ilegal quando tinha de 16 anos e os que pretendem voltar para casa por motivos humanitários. “Vamos normalizar a entrada temporária no país dos que emigraram ilegalmente depois dos acordos migratórios de 1994 (com os Estados Unidos), se tiverem transcorrido oito anos desde sua saída”, divulgou o secretário do Conselho de Estado, Homero Acosta, ontem à noite, em entrevista à rede de tevê estatal. As novidades não se aplicam aos que saíram da ilha pela Base Naval de Guantánamo, “por razões de defesa e segurança nacional”.
Quem abandonou Cuba por meio de Guantánamo só poderá voltar se for entregue às autoridades pelo governo norte-americano. Em 2011, 400 mil cubanos que moram no exterior foram ao país para visitar familiares. Cerca de 2 milhões abandonaram a ilha desde que Fidel Castro chegou ao poder, em 1959, e a maioria deles poderá ser beneficiada pela flexibilização a partir de 14 de janeiro — mesmo dia em que entra em vigor o fim da exigência de permissão para que os cubanos façam viagens internacionais. “Mudamos porque o país também está mudando”, anunciou Acosta. “As medidas não respondem a pressões nem a imposições de ninguém”, esclareceu o secretário do Conselho de Estado.
Os que saíram do país quando eram menores de 16 anos serão repatriados. “Eles não tinham vontade de emigrar ilegalmente, eram menores de idade e foram arrastados a essa aventura ilegal por maiores”, explicou Acosta. O secretário revelou que uma das razões humanitárias para o regresso é a ajuda a parentes incapazes no país.
Demanda
Lillian Manzor, do Instituto de Estudos Cubanos da Universidade de Miami, ressalta que os cidadãos já pediam há muito tempo por reformas no processo de migração. “Raúl Castro tinha determinado várias vezes que as mudanças viriam, mas que estavam sendo pesquisadas. As reformas anunciadas agora e há 10 dias foram o primeiro passo ao encontro do que cubanos pediram. Liberdade de movimento é um dos direitos humanos básicos”, determinou.
Nadine Fernandez, professora da Faculdade Empire State, em Nova York, acredita que mais mudanças ocorrerão, independentemente da influência do ex-presidente Fidel Castro. “O governo de Cuba, agora, é mais do que uma pessoa (Fidel), é um sistema. O país está se movendo em uma nova direção e acredito que as aberturas serão ampliadas.” No último dia 16, o governo anunciou o fim da necessidade de visto de saída e de uma carta-convite — feita por parentes ou amigos no país de destino — para viajar.