Título: Aliança para as eleições legislativas
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Fonte: Correio Braziliense, 26/10/2012, Mundo, p. 21
O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, anunciaram ontem a formação de uma aliança que unificará seus partidos na disputa das eleições gerais marcadas para janeiro do ano que vem. O Likud, de Netanyahu, e o Israel Beitenu, agremiação de direita nacionalista de Lieberman, apresentarão uma chapa única nas próximas eleições.
Ambos esclareceram, de qualquer forma, que essa união, cujo objetivo é que Netanyahu seja o responsável pela formação do próximo governo, não significa que haverá uma fusão dos dois partidos. A aliança ainda vai passar pela análise do Likud, de direita, e do Israel Beitenu, de direita nacionalistas.
“Israel precisa unir suas forças para governar e enfrentar os desafios de segurança e econômicos (...) Portanto, o Likud e o Israel Beitenu apresentarão juntos uma lista única para as próximas eleições nas quais será preciso depositar apenas uma cédula (na urna)”, afirmou Netanyahu à imprensa. O primeiro-ministro fez um apelo à opinião pública para que respalde a aliança. “Israel necessita de uma coalizão governamental forte que se apoie em uma lista política fundada em uma autêntica cooperação”, destacou.
Lieberman, por sua vez, assinalou que, ao apresentar uma lista única com o Likud, tem a intenção de contribuir para a governabilidade. “De fato, de agora em diante, promovemos uma mudança no sistema político que vai garantir a estabilidade”, insistiu o chefe da diplomacia israelense. O Likud tem atualmente 28 deputados, e o Israel Beitenu, 15, dos 120 do Parlamento. Segundo as últimas pesquisas, as duas legendas devem se manter nesses níveis ou até sair fortalecidas das próximas eleições.
Netanyahu e Lieberman se valeram do fator surpresa e negociaram a estratégia em segredo absoluto. De acordo com informações obtidas pelo diário Yediot Ahronot, a aliança foi uma iniciativa de Netanyahy, que estaria preocupado com a possibilidade de a ex-chanceler Tzipi Livni e o ex-premiê Ehud Olmert retomarem a cena política para fortalecer a oposição.
Cessar-fogo
A aliança foi anunciada em meio a uma trégua entre Israel e o movimento islamita Hamas, que reduziu o clima de tensão na região de Gaza, após três dias de muita violência. O pacto, mediado por representantes egípcios, coincide com o início das celebrações da festividade muçulmana do Eid Al-Adha. Em 72 horas de conflitos, foram registradas quatro mortes e uma dezena de feridos no território controlado pelo Hamas, após ataques de Israel.
As milícias palestinas, por sua vez, lançaram cerca de 80 foguetes contra os israelenses, que deixaram cinco feridos. Israelenses e palestinos reconheceram que a já tradicional mediação egípcia foi essencial para a trégua.