Título: Petrobras volta ao lucro
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Fonte: Correio Braziliense, 27/10/2012, Economia, p. 19
Resultado de R$ 5,6 bilhões no terceiro trimestre reverteu prejuízo anterior. Reajuste dos combustíveis foi determinante
Rio de Janeiro — A Petrobras conseguiu reverter o prejuízo que havia registrado entre abril e junho e obteve um lucro líquido de R$ 5,6 bilhões no terceiro trimestre. Mesmo voltando ao terreno positivo, o resultado ficou abaixo do estimado pelos analistas, que esperavam um ganho de R$ 7,5 bilhões, e foi 12,1% menor do que o contabilizado no mesmo período de 2011.
Em comunicado distribuído no início da noite, depois do fechamento dos negócios no mercado de ações, a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, informou que a reversão das perdas foi possibilitada pelos reajustes dos combustíveis autorizados pelo governo em junho e julho. A nota cita também o aumento da produção de diesel nas refinarias, os gastos menores com baixas de poços secos ou subcomerciais e a estabilidade do dólar em relação ao real como fatores determinantes do melhor desempenho alcançado entre julho e setembro.
No segundo trimestre, a companhia havia amargado um prejuízo de R$ 1,3 bilhão, o primeiro resultado negativo em mais de 13 anos. Apesar desse tropeço, o lucro líquido acumulado pela companhia em 2012 somou R$ 13,435 milhões. O montante, no entanto, foi 52% menor do que o registrado de janeiro a setembro do ano passado.
No comunicado, Graça Foster, como a presidente da estatal prefere ser chamada, observou que, mesmo voltando ao lucro, a Petrobras continuará “trabalhando com determinação e foco na recuperação da rentabilidade”. A empresa está desenvolvendo um programa de redução de custos e deverá divulgar metas de corte de gastos em dezembro próximo.
Embora essa seja uma reivindicação quase permanente da petroleira ao governo, a executiva não mencionou a possibilidade de novos reajustes dos combustíveis. A diretoria da estatal alega que os preços internos estão desalinhados em relação às cotações internacionais e que uma correção dos valores é essencial para que a companhia consiga cumprir o plano de investimentos até 2016, previsto em US$ 236 bilhões.
A produção de petróleo e gás somou 2,5 milhões de barris por dia no terceiro trimestre, um recuo de 2% na comparação com trimestre anterior e de 2,2% em relação ao mesmo período de 2011. A queda foi atribuída a paradas operacionais mais longas que o planejado nas plataformas, especialmente em setembro. Com a produção reduzida, as exportações de petróleo, entre janeiro e setembro, caíram 9%, em relação ao mesmo período de 2011.
Importações em alta Nos nove primeiros meses do ano, a Petrobras aumentou em 7% as importações de derivados de petróleo para atender a expansão da demanda interna, principalmente de gasolina e de óleo diesel. Houve também uma maior importação de petróleo bruto, para “adequar o perfil de refino às necessidades do mercado interno e reduzir a necessidade de importação de derivados”, informou a estatal. O déficit comercial de petróleo e derivados de janeiro a setembro foi de 164 mil barris/dia.