Título: Sandy golpeia Nova York
Autor: Luna, Thais de
Fonte: Correio Braziliense, 30/10/2012, Mundo, p. 20
Com ventos de 130km/h, o ciclone extratropical Sandy mantém força de furacão, provoca chuvas torrenciais históricas e oito mortes
Sandy tocou a terra às 22h de ontem (hora de Brasília), a apenas 10km de Atlantic City, na costa sul de Nova Jersey. Agora como um ciclone extratropical, era considerado “potencialmente perigoso”. Com ventos de 130km/h, o fenômeno meteorológico golpeou Nova York com força e provocou um volume histórico de chuvas torrenciais. Algumas ruas do sul de Manhattan ficaram cobertas pela água e carros boiavam. Túneis sob os rios East e Hudson foram inundados e transformadores explodiram. Além das enchentes, Sandy deixou 2,8 milhões de pessoas de 11 estados sem energia elétrica e causou prejuízos de US$ 15 bilhões. Até a Bolsa de Valores de Nova York suspendeu as operações ontem e hoje. O Distrito Financeiro ficou 1m sob a água, assim como as galerias do metrô. A Autoridade Portuária fechou o Aeroporto LaGuardia. Até a 0h30 de hoje (hora de Brasília), o número de mortes devido ao ciclone chegava a 10. Na Carolina do Norte, a Guarda Costeira resgatou o corpo de um tripulante de um veleiro. Em Nova York, um homem foi morto ao ser atingido por uma árvore, no Queens. Quatro pessoas morreram no estado de Nova York, duas em Nova Jersey, uma na Virgínia Ocidental e outra em Connecticut.
O presidente Barack Obama deixou o papel de candidato à reeleição para alertar a população sobre os riscos do que chamou de tempestade “poderosa”. Às 21h15 (hora de Brasília), o Centro Nacional de Furacões dos EUA rebaixou o furacão Sandy a “ciclone extratropical”. Durante o dia, ele se manteve como um furacão de categoria 1 na escala Saffir-Simpson (que vai até 5), com 1,6 mil quilômetros de diâmetro. Obama pediu à população que leve “muito a sério” as orientações das autoridades. “Não sabemos que lugares essa tempestade vai atingir. Se mandarem você sair de casa, saia. Não adie. Pode haver efeitos letais para quem não agir rapidamente”, disse, na tarde de ontem, após reunião de emergência. O presidente alertou que podem levar “vários dias” para que a eletricidade seja retomada.
Para convencer as pessoas a abandonarem áreas de risco, o governador de Nova Jersey, Cheris Christie, foi ríspido: “Não sejam estúpidos. Saiam e vão para lugares mais altos e seguros”. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, recomendou que os moradores fiquem em casa. A população atendeu ao pedido e, durante quase todo o dia, a cidade ficou deserta. Enquanto isso, as redes sociais na internet eram freneticamente usadas como meios de informação sobre a iminente catástrofe, incluindo a divulgação de kits de emergência. Moradores também publicaram fotos de alagamentos e destruição. Durante a passagem pelo Caribe, o furacão Sandy deixou 69 mortos. As autoridades dos EUA estimavam que ele afetaria 60 milhões de pessoas em 11 estados. O governo espera retomar os serviços de transportes 12 horas depois da passagem do ciclone.
Moradores dos EUA ou turistas, brasileiros estavam na expectativa da chegada da tempestade. O engenheiro civil fluminense João Victor Araujo, 25 anos, chegou no sábado a Nova York. Hospedado na casa de um amigo, no Harlem, ele contou ao Correio que no Financial District estava tudo alagado ontem. “A cidade está parada. Ainda há alguns táxis nas ruas, mas preferimos não arriscar e ficar passeando”, explicou. “Nós, brasileiros, estamos tranquilos. Mas nossos amigos americanos estão superestressados.” Ele e os amigos compraram comida e bebida para passarem o tempo em casa.
A fisioterapeuta Sabryna Pacheco, 35 anos, mora em Boston (Massachusetts) e não sai de casa desde o domingo. “Estávamos (ela e o marido) subestimando a tempestade. Resolvemos ir ao mercado estocar comida e água”, descreveu à reportagem. Ex-moradora de Brasília, Sabryna disse que se sente ansiosa, porém, segura. “As autoridades são muito cuidadosas, passam informações com antecedência e clareza.” Entre as precauções adotadas, a fisioterapeuta destacou deixar o celular e o computador ligados na tomada, para terem o máximo de carga, caso falte luz, além de garantir que as janelas estejam travadas.
60 milhões Total de pessoas afetadas pelo ciclone Sandy em 11 estados da costa leste dos EUA.
US$ 15 bilhões Valor estimado dos prejuízos devido à passagem da tempestade pelos EUA.
2,8 milhões Número de americanos que ficaram sem energia elétrica no país.
10 mil Média de ligações recebidas pelos serviços de emergência de Nova York, a cada meia hora.
7,4 mil Total de voos cancelados por causa da chegada da tempestade.