Título: Inflação de outubro vai a 0,59%
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Fonte: Correio Braziliense, 08/11/2012, Economia, p. 18
IPCA de outubro tem o maior aumento desde abril, puxado, novamente, pelos alimentos. Mas analistas acreditam que o pior do custo de vida ficou para trás, pois os preços no atacado perdem força. De qualquer forma, taxa oficial fechará o ano acima da meta
A inflação oficial do país registrou, em outubro, a maior alta em seis meses, atingindo 0,59%, puxada, mais uma vez, pelos preços dos alimentos. O resultado, no entanto, ficou dentro do esperado pelo mercado, que aposta em desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos próximos meses.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade do IPCA (54%) decorreu da elevação dos preços dos alimentos. Os vilões foram o arroz, que ficou 9,88% mais caro, e as carnes, com reajuste de 2,04%. Os brasileiros que optaram por comer fora de casa também sentiram no bolso o peso da inflação. Os cardápios tiveram aumento médio de 0,7%.
No acumulado do ano, o IPCA já acumula alta de 4,38%, quase encostando no centro da meta de 4,5% definida pelo governo. Em 12 meses, o indicador cravou elevação de 5,45%. “Os alimentos continuam pressionando a inflação e deixam o IPCA estacionado em patamar significativo”, disse a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.
Para os analistas, tudo indica que o pior ficou para trás. A expectativa, a partir de agora, é de desaceleração dos preços das commodities (mercadorias com cotação internacional), que sentiram a pressão dos efeitos da maior seca em 50 anos nos Estados Unidos.
“A expectativa é de que o IPCA desacelere (a partir de novembro), principalmente por conta da alimentação”, afirmou a economista da Consultoria Tendências Alessandra Ribeiro. Para ela, o índice terá alta de 0,51% neste mês e de 0,48% em dezembro. O mercado espera que o indicador feche este ano em 5,44% e 2013, em 5,4%, segundo a pesquisa Focus do Banco Central. Como, em 2011, a inflação ficou em 6,5%, serão três anos seguidos com a taxa acima do centro da meta.
Atacado
Um importante sinal de que os preços ao consumidor devem recuar nos próximos meses foi o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI), que teve, em outubro, a primeira deflação desde dezembro de 2011: recuou 0,31%. O mercado esperava queda de 0,14%.
Em setembro, o IGP-DI havia registrado alta de 0,88%. Em 12 meses, o índice acumula elevação de 7,41%. O índice tem entre seus componentes o IPA, que registra a variação dos preços entre os produtores, isto é, antes de chegarem aos consumidores.
“A queda do IGP-DI se dá no atacado de forma generalizada. O IPA literalmente despencou. Foi um movimento das commodities, produtos agropecuários, industriais, matérias-primas brutas e bens finais, todos com sinal negativo”, afirmou o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Salomão Quadros. O IPA teve baixa de 0,68%.