O globo, n.31420, 16/08/2019. País, p. 07

 

Planalto vai trocar comando da PF no Rio

Daniel Gullino

Antônio Werneck 

16/08/2019

 

 

O presidente Jair Bolsonaro anunciou ontem que irá substituir o superintendente da Polícia Federal( PF) no Rio, Ricardo Saadi, por problemas de “gestão e produtividade”. Bolsonaro não detalhou os motivos da troca nem informou quando será concretizada. O presidente mencionou a decisão quando foi perguntado sobre possíveis mudanças na Receita Federal.

— Todos os ministérios são passíveis de mudança. Vou mudar, por exemplo, o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Motivos? Gestão e produtividade —disse, ao sair do Alvorada.

Em nota divulgada pelo Ministério da Justiça, a PF informou que a saída de Saadi está prevista há algum tempo, e nada tema ver como desempenho profissional dele.

Ao responder se teve problemas com Saadi, Bolsonaro disse que há problemas em todas as áreas:

— Temos problemas, no Brasil todo, em todas as áreas. Como já falei para vocês, vou trocar alguns diretores de hospitais (do Rio). Não quero esperar acontecer o problema para tomar uma solução.

O presidente da Associação Nacional dos Delegados da PF, Edvandir Paiva, criticou a interferência de Bolsonaro. Paiva disse não se lembrar de nenhum caso em que o presidente tenha tratado da administração interna da polícia.

— Não cabe ao presidente da República indicar ou trocar cargos internos da Polícia Federal. Os cargos internos são preenchidos pelo diretorgeral. Acho que foi bastante estranha essa declaração dele (Bolsonaro). A Polícia Federal é um órgão de Estado, não do governo dele. Ele pode indicar o diretor-geral, não os demais cargos internos.

Saadi está no cargo desde fevereiro. Delegado federal desde 2002, foi titular por seis anos do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional. O órgão da PF atua em cooperação com investigadores de outros países e foi importante nos acordos internacionais firmados pela Lava-Jato.

Tendo Saadi à frente, a Superintendência da PF no Rio combateu, segundo delegados, com firmeza crimes de corrupção, todos relacionados à Lava-Jato. Mas não obteve o mesmo desempenho na repressão ao tráfico internacional de droga sede armas, lavagem de dinheiro de grupos paramilitares e crimes ambientaise fazendários. Nos índices nacionais quem edema produtividade da PF no país, o Rio está na12º colocação, entre 27 superintendências.

Também ontem, o Ministério Público Eleitoral do Rio de Janeiro determinou que a Polícia Federal tome o depoimento do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) sobre possível omissão de bens à Justiça Eleitoral nas eleições de 2014. Requisitou ainda que a PF solicite a Flávio suas declarações de Imposto de Renda nos anos de 2013 e 2014.

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Gilmar suspende ação que usou Coaf 

Juliana Castro 

16/08/2019

 

 

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), paralisou na última quarta-feira o andamento de um processo da Lava-Jato do Rio até que a Corte se pronuncie sobre a suspensão de investigações com dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O caso será julgado no dia 21 de novembro. Embora tenha sido pedida por outro réu, a decisão atinge também o exgovernador Sérgio Cabral.

Esta é a primeira vez que uma ação da Lava-Jato do Rio é paralisada com base na decisão do presidente do STF, Dias Toffoli, de suspender os processos judiciais em que dados bancários de investigados tenham sido compartilhados por órgãos de controle sem autorização da Justiça.

A suspensão foi pedida por Juliana Villas Boas e Narciso Fernandes, que defendem Lineu Castilho Martins. Ele é ex-chefe de gabinete do expresidente da Fundação Departamento de Estradas de Rodagem do Rio (DER), Henrique Ribeiro. Castilho, Ribeiro, Cabral e outras duas pessoas são réus no processo que trata de cobrança de propina no DER.

Em depoimento ontem à Justiça Federal, Cabral admitiu ter recebido vantagens indevidas em contratos do DER.