Título: Munição na reta final
Autor: Tranches. Renata
Fonte: Correio Braziliense, 03/11/2012, Mundo, p. 16
Relatório que aponta mais desemprego e criação de postos de trabalho é usado por Obama e Romney para aquecer campanha
A quatro dias das eleições, o mais recente relatório sobre o desemprego nos EUA, divulgado ontem, serviu como munição aos candidatos à Presidência, enquanto ambos saíam mais uma vez na disputa por Ohio — um estado considerado chave na corrida à Casa Branca. O republicano Mitt Romney argumentou que a nova taxa, de 7,9% de americanos sem trabalho, é uma "triste lembrança" de que e economia está paralisada. Por sua vez, a equipe democrata alegou que o número de empregos criados (171 mil) é uma "evidência" da recuperação do país. Ohio é considerado um dos mais importantes entre os "swing states" (estados onde os dois partidos alternam a preferência do eleitorado, a cada ano), onde o presidente Barack Obama tem uma ligeira vantagem nas pesquisas. Mas a diferença é tão pequena, como nas sondagens nacionais, que institutos e analistas não arriscam a apontar quem sairia vencedor.
Segundo o Departamento de Trabalho, a taxa de desemprego subiu a 7,9%, uma alta de 0,1 ponto percentual em comparação com setembro (7,8%). O índice, de acordo com analistas, está dentro da previsão. No entanto, houve uma aceleração na criação de postos de trabalho — foram 171 mil novos empregos, no mês passado. O número representa um aumento de 16% em relação a setembro e supera as projeções do mercado, de 125 mil postos líquidos.
Com esse cenário, cada campanha usou os números a seu favor na batalha que, ontem, se concentrou em Ohio. Em seu primeiro comício no estado, Obama usou os dados para reforçar o argumento de que o país está no rumo certo. "Nossa luta continua porque os EUA avançam, quando todos têm uma chance justa de vencer, quando todos jogam as mesmas regras. Esta é a nossa crença. Foi por isso que vocês me elegeram em 2008 e é por isso que concorro a um segundo mandato", disse, em Hilliard, o ponto de partida para a maratona por três cidades no estado. Ohio é um microcosmo da economia americana, que conseguiu reduzir a taxa de desemprego, estabelecida em 7%.
Paralisia
Mais cedo, porém, o ex-governador de Massachusetts, divulgou um comunicado criticando os números e disse que eles são uma "triste lembrança de uma economia quase paralisada". Depois, em um comício em Milwaukee (Wisconsin), disse que os americanos farão uma escolha, na terça-feira, entre a "estagnação e a prosperidade". "A pergunta central desta eleição é a seguinte: vocês querem mais do mesmo ou desejam uma mudança real? Nós representamos a mudança real. O candidato Obama prometeu isso, mas não o fez", declarou, pouco antes de seguir para Ohio. Para ele, vencer neste estado é ainda mais imperioso do que para Obama. Até hoje, nenhum republicano chegou à Casa Branca sem vencer em Ohio e o único presidente a conseguir tal façanha foi John Kennedy, em 1960.
William Cunion, cientista político da Universidade de Mount Union (Alliance, Ohio), analisou que as pesquisas em seu estado estão apertadas demais para arriscar um vencedor. "Independentemente de quem vencer, a margem será muito pequena e, provavelmente, levará alguns dias até que possamos determinar um vencedor", explicou o professor, em entrevista ao Correio. A medição diária da Reuters/Ipsos nos estados-chave mostra Obama com ligeira vantagem. Ele aparece na frente de Romney, em Ohio, com margem de dois pontos percentuais. Tem a mesma vantagem na Flórida. Na Virgínia, ela sobe para três pontos. Os dois estão empatados no Colorado e na pesquisa nacional — em ambas, têm 46%. Outra pesquisa, feita pela CNN/ORC International, também mostra Obama à frente em Ohio, com três pontos: 50% a 47%.
Para se distanciar de Romney, Obama criticou o adversário por veicular um comercial no qual sugeria erroneamente que a Jeep estava transferindo a produção para a China. Segundo o presidente, o republicano tenta "manipular a verdade para assustar eleitores". O plano de ajuda à industria automobilística promovido pelo presidente é visto como a principal razão para a sua pequena, mas consistente, liderança nas pesquisas em Ohio, onde os empregos relacionados às montadoras são essenciais. A votação nos EUA ocorre na próxima terça-feira, mas em 32 dos 50 estados ela já começou.
7,9% Índice de desemprego nos EUA, segundo o relatório — aumento de 0,1% em relação a setembro
171 mil Número de postos de trabalho criados no último mês no país, de acordo com o documento
Exibição polêmica O primeiro filme sobre a operação militar que matou morte de Osama bin Laden será exibido pela primeira vez amanhã, a apenas dois dias da eleição presidencial, pelo canal National Geographic. Para o diretor do diretyor John Stockwell, é improvável que a estreia televisiva de SEAL Team Six: The Raid on Osama bin Laden ("Equipe Seis Seal: o ataque a Osama bin Laden", em tradução livre) tenha alguma repercussão na disputa à Casa Branca. Mas a proximidade das datas gera grande polêmica, sobretudo pelo fato de que Harvey Weinstein, produtor de Hollywood que arrecada fundos para a campanha de Obama, é o distribuidor e um dos diretores da produção de 90 minutos. "Este filme nunca foi escrito ou filmado com essa intenção (de ajudar Obama), disse Stockwell. O presidente americano aparece várias vezes no filme, rodado na Índia e no Novo México, mas apenas na forma de imagens de arquivo.