Título: Receitas frustrantes
Autor:
Fonte: Correio Braziliense, 10/11/2012, Política, p. 8
As eleições municipais de 2012 acabaram, os resultados foram proclamados, mas muitos partidos ainda terão de administrar as contas deixadas para trás. A expectativa de arrecadação das agremiações, entregue à Justiça Eleitoral no momento em que registram as candidaturas, ficou muito aquém da previsão original dos seus dirigentes. A campanha de Fernando Haddad (PT) à prefeitura de São Paulo, por exemplo, estimou arrecadar um montante alto em comparação com o valor recebido, pelo menos, até o primeiro turno, em 7 de agosto.
O PT planejou gastar até R$ 90 milhões para ganhar os votos na maior e mais importante cidade do país. Conseguiu vencer, mas o dinheiro que pingou no caixa da campanha não foi suficiente para arcar com os custos. O balanço não foi concluído, mas até a última parcial disponível, apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, pouco antes do primeiro turno, entraram apenas R$ 10 milhões.
"Nós não fechamos a conta ainda, porque temos até o fim mês para arrecadar. Isso é uma possibilidade determinada em lei. Mas alguma dívida ainda deve ficar", assume o vereador Antonio Donato (PT-SP), coordenador da campanha petista na capital paulista. Ele admite que as doações ficaram aquém do esperado. Segundo o vereador, os políticos se frustraram com o empresariado. "Eles (empresários) ficaram mais recuados este ano. Se compararmos com as eleições municipais de 2008, veremos que a arrecadação foi bem menor agora".
Outro caso de arrecadação abaixo da previsão foi verificado em Palmas. O vencedor na disputa à prefeitura da capital do Tocantins, o empresário colombiano naturalizado brasileiro Carlos Amastha (PP) esperava receber R$ 5 milhões. Porém, excluindo a parte que ele próprio doou para a campanha, não conseguiu arrecadar nem R$ 1 milhão.
Boa arrecadação No Rio de Janeiro, o prefeito reeleito Eduardo Paes (PMDB), que liderou as pesquisas de intenção de votos desde o início da campanha, chegou perto do que esperava receber: R$ 21,2 milhões de uma previsão de R$ 25 milhões. Pela lei eleitoral, quem gasta recursos além do limite fixado está sujeito à multa no valor de cinco a 10 vezes a quantia em excesso. O candidato também pode responder por abuso do poder econômico.