Título: BC conta com crescimento
Autor:
Fonte: Correio Braziliense, 09/11/2012, Economia, p. 11
Para a autoridade monetária, retomada da atividade vai se intensificar, permitindo alcançar meta cheia de superavit em 2013
Recife — O Banco Central (BC) prevê inflação menor e crescimento maior nos próximos meses. No aspecto fiscal, a autoridade monetária conta com cumprimento da meta de superavit de R$ 139,8 bilhões com ajustes neste ano. O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, buscou minimizar a flexibilização prevista em 2012, argumentando que no ano que vem o cenário é de cumprimento da meta cheia de R$ 155,9 bilhões, mantendo-se a queda da relação entre a dívida líquida e o Produto Interno Bruto (PIB).
“Trabalhamos com cenário de permanência da disciplina fiscal no setor público”, afirmou em entrevista ontem após apresentação do Boletim Regional do BC no Recife. Nesta semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu que o governo não cumprirá a meta cheia de superavit primário e que será necessário descontar investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da contabilidade.
Mantega disse, porém, que espera fazer o “mínimo” possível de abatimento. O governo tem autorização legal para descontar até R$ 40,6 bilhões das despesas, mas trabalha com a possibilidade de abater até R$ 25,6 bilhões. No acumulado até setembro, o setor público consolidado economizou R$ 75,8 bilhões. Para fazer a meta cheia neste ano, seria necessário economizar R$ 63,9 bilhões somente no último trimestre do ano, o que é inviável.
Em relação ao ano que vem, Araújo afirmou que a retomada do crescimento econômico contribuirá com os esforços do governo pagar os juros da dívida sem necessidade de alterar a meta. “O BC acredita que a recuperação da atividade vai ser elemento importante para a construção do superavit primário”, disse.
Na avaliação da autoridade monetária, houve recuperação no terceiro trimestre, embora não de forma generalizada e com ritmos distintos entre as regiões. “Nossa visão é que no segundo semestre deste ano e em 2013 haverá crescimento bem mais intenso que o do primeiro semestre deste ano”, afirmou o diretor. Hamilton acrescentou que as perspectivas são de ampliação moderada do crédito, recuo na inadimplência e manutenção da demanda interna forte, assegurada pela abertura de postos de trabalho e a elevação da renda dos trabalhadores.
Nesse cenário traçado, o BC não vê aumento do endividamento das famílias como um risco. As famílias têm comprometido 22% da renda com juros e encargos, o que deve se manter estável, segundo Araújo.
Preços Após altas seguidas da inflação, Hamilton projetou um cenário mais favorável para a variação de preços no país, a partir do comportamento do atacado. Ele se referiu ao recuo de 0,31% no Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) em outubro, a primeira deflação nesse indicador desde dezembro de 2011. Em setembro, o índice havia registrado alta de 0,88%. A tendência, disse Araújo, é de convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% no terceiro trimestre de 2013.
“Os choques nos preços são menos intensos ou duradouros do que observamos em 2010 e 2011. A elevação da inflação ocorreu a curto prazo, mas a trajetória de convergência será retomada”, assegurou. As avaliações do diretor sobre a tendência de arrefecimento da inflação foram feitas um dia após a divulgação de o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter acelerado a alta, encerrando outubro em 0,59%, o recorde em seis meses — em setembro, ficou em 0,57%.
» Dependência do exterior
O Boletim Regional divulgado ontem pelo Banco Central, destaca que a estrutura da economia da região Norte está concentrada nas indústrias extrativa mineral e de eletrônicos. Por isso, é mais dependente do dinamismo da demanda externa e de condições favoráveis no mercado de crédito. Tal estrutura contribuiu para que os impactos do agravamento da crise mundial ocorressem com maior intensidade sobre a atividade econômica do Norte do que nas demais regiões. “Esse ambiente, embora se refletisse na retomada incipiente da atividade econômica da região ao fim do primeiro trimestre deste ano, registrou reversão importante a partir de meados do trimestre encerrado em junho, quando a relativa recuperação da economia mundial e o maior dinamismo das operações de crédito passaram a favorecer o desempenho das atividades industrial e varejista”, afirma o documento.
» PIB do Nordeste
O avanço da economia do Nordeste entre junho e agosto deste ano, de 1,6%, foi fortemente impulsionado pelo desempenho favorável do Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia, do Ceará e de Pernambuco a partir do segundo trimestre de 2009, o que, em todos esses casos, é calcado na expansão do mercado interno. As informações são do Boletim Regional o, divulgado ontem pelo Banco Central. O Índice de Atividade Econômica Regional da Região Nordeste (IBCR-NE) registrou crescimento de 1,6% no trimestre encerrado em agosto, em relação ao que se terminou em maio.