Título: Impacto das bombas nas crianças
Autor: Craveiro, Rodrigo
Fonte: Correio Braziliense, 23/11/2012, Mundo, p. 22

O Comitê das Nações Unidas para os Direitos da Criança alertou ontem que o conflito entre o Hamas e Israel produziu um "impacto devastador e duradouro" sobre as crianças. De acordo com a entidade, a crise atual deve provocar efeitos psicológicos de longo prazo na juventude. "Esse impacto se estende do grande número de mortos e feridos em Gaza ao trauma profundo e a outros efeitos psicológicos sobre as crianças de ambos os lados da fronteira. Essas experiências podem afetá-los por muitos anos, incluindo durante a fase adulta", afirma um comunicado divulgado ontem.

Nos oito dias de bombardeios israelenses sobre a Faixa de Gaza e de lançamento de foguetes contra o sul de Israel, 26 crianças palestinas morreram e 400 ficaram feridas. Do lado israelense, 14 menores ficaram feridos. "Durante a última semana, centenas de milhares de crianças palestinas e israelenses têm vivido sob o terror das explosões", declarou o comitê, acrescentando que muitas apresentaram sinais de estresse, incluindo choro excessivo, gritos e incontinência urinária. "Muitas outras crianças em Gaza perderam os pais ou parentes, e estão profundamente traumatizadas", acrescenta o comunicado.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) também destacou o fato de que muitas crianças têm sido forçadas a dormir no relento, porque as janelas de suas casas foram estilhaçadas pelas explosões. No sul de Israel, os pequenos também viveram com medo e foram forçados a se esconder em abrigos antibomba.

"Destruição de casas e de escolas, ruas e outras instalações públicas afetaram profundamente as crianças e as privaram de seus direitos básicos", disse o comitê. "Os recentes ataques aéreos e navais sobre áreas densamente povoadas em Gaza com significativa presença de crianças constituem graves violações da Convenção dos Direitos da Criança".

A agência de Nações Unidas para os palestinos refugiados, informou que 245 escolas abrirão no sábado, para retomar o ano escolar de 225 mil crianças, o que inclui a necessidade de dar também a elas apoio psicológico. As escolas foram usadas durante a crise como abrigos para cerca de 10 mil pessoas que, graças ao cessar-fogo, podem agora voltar a suas casas.