Título: Dólar sobe 0,68%
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Fonte: Correio Braziliense, 22/11/2012, Economia, p. 18

O dólar aproxima-se cada vez mais do teto informal de R$ 2,10. Segundo analistas, o mercado testa o Banco Central em meio a especulações de que o governo poderia estar buscando a desvalorização do real para impulsionar a atividade econômica do país. A moeda norte-americana encerrou com alta de 0,68%, a 2,095 reais na venda, depois de ser negociada a R$ 2,10. O valor do fechamento foi o maior desde 15 de maio de 2009, quando ficou em R$ 2,109 na venda.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o movimento de valorização do dólar está relacionado ao aumento da apreensão no mercado internacional em relação ao desempenho das economias dos países desenvolvidos. "(A alta ocorre) no caso da economia americana, por causa das declarações do presidente do Fed (Ben Bernanke) e do fiscal cliff (ou abismo fiscal), que até agora não se resolveu, e por causa da Europa, que oficialmente está em recessão", disse o ministro.

Na terça-feira, Bernanke afirmou que o Fed não tem as ferramentas para compensar os danos que seriam causados caso políticos se mostrem incapazes de chegar a um acordo para impedir uma série de aumentos de impostos e cortes de gastos obrigatórios que serão ativados automaticamente no início do ano que vem.

Quando questionado a respeito da disposição do governo de deixar o dólar se valorizar mais em relação ao real, Mantega disse que a valorização da moeda dos Estados Unidos ocorre também em relação a várias outras moedas. Segundo o ministro, o objetivo do governo é atuar o mínimo possível no mercado cambial. "Houve valorização do dólar e desvalorização de todas as moedas, e o real apenas acompanhou isso. Procuramos intervir o menos possível e, com isso, houve uma flutuação normal", acrescentou.

Mantega vinculou ainda o movimento de alta do dólar aos feriados no país na quinta-feira da semana passada (data nacional, em referência à Proclamação da República) e na terça-feira (Dia da Consciência Negra, feriado em algumas cidades do país, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro).