Título: DF cresceu abaixo da média
Autor: Garcia, Larissa
Fonte: Correio Braziliense, 24/11/2012, Economia, p. 12
Ostentando a maior renda per capita do país, o Distrito Federal cresceu abaixo do índice nacional em 2010 — 4,3%, frente a 7,5%. O valor do Produto Interno Bruto (PIB) da capital da República, naquele período, alcançou R$ 149,90 bilhões, o que valeu ao DF a 8a posição, em números absolutos, entre as 27 unidades da Federação. Dividido pela população, o valor foi de R$ 58.489 por habitante. No ano anterior, quando a atividade econômica do país teve retração de 0,3%, a economia candanga havia tido melhor desempenho e avançado 4%, colocando o PIB (R$ 131,48 bilhões) na 7a posição do ranking.
“O que puxou a economia brasileira em 2010 foram a indústria e a agropecuária, setores com pouca expressão no Distrito Federal, que raramente sofre com as oscilações nacionais. Por isso, não sentimos tanto o crescimento daquele ano. A tendência é que mantenhamos entre o 6° e 8° lugar no ranking do PIB. Já em termos de renda per capita, dificilmente perderemos a 1a colocação”, disse o presidente da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), Júlio Miragaya, ao divulgar os números, na manhã de ontem.
O setor terciário (comércio e serviços) é o mais expressivo na economia do DF. Em 2010, respondeu por 93,2% da produção, principalmente por conta da administração pública (54,4%). Aparticipação da agropecuária caiu de 0,5%, em 2009, para 0,3% no ano seguinte. Segundo o estudo da Codeplan, o baixo desempenho é explicado pela queda de produção de alguns itens de lavouras temporárias, como o milho.
O PIB do DF também foi pouco impactado pela indústria. Embora tenha crescido 10,3% em relação a 2009, o setor equivale a apenas 6,5% da economia brasi-liense. A alta no segmento foi fortemente alavancada pela construção civil, que avançou 14,1% no período.
A renda média no DF é a mais alta do país devido ao peso do funcionalismo público, que recebe bons salários. Em 2010, o rendimento médio da população saltou de 10,8 para 11,5 salários mínimos. “Mesmo assim, ainda temos um problema grande de disparidade. Enquanto observamos salários altíssimos no Lago Sul, temos ganhos muito baixos na Estrutural, por exemplo. Isso também explica a segregação social. Enquanto em uma região administrativa há concentração de renda, em outra se agrupam famílias de menor poder aquisitivo. É uma realidade triste”, considerou o presidente da Codeplan.
Administracão
Empurrado pela administração pública, o PIB do setor de serviços alcançou R$ 124,17 bilhões em 2010, com crescimento de 3,4% em relação a 2011. “Se excluíssemos o serviço público, nosso PIB per capita se assemelharia ao de São Paulo, de R$ 30.243 anuais. É uma área significativa da economia, por ser a capital do país”, pontuou Miragaya.
O comércio teve alta de 7,1%, recuperando-se do tombo de 2,6% sofrido em 2009. “A população brasiliense tem renda elevada, o que é essencial para o varejo. O conhecimento da representação do segmento no PIB é importante para que os empresários vejam a necessidade de melhorar”, ressaltou o presidente da Federação do Comércio de Bens, Turismo e Serviços do DF (Fecomércio-DF), Aldemir Santana.