Título: Alívio à pressão
Autor: Tranches, Renata
Fonte: Correio Braziliense, 25/11/2012, Mundo, p. 24

Antes do conflito com o Hamas, as ameaças de Israel de atacar o Irã chamavam a atenção no Oriente Médio. Autoridades israelenses, especialmente o premiê, Benjamin Netanyahu, argumentam que os objetivos do programa nuclear iraniano não são pacíficos e temem a fabricação da bomba atômica. A tese é refutada por Teerã. Para o analista iraniano, do Departamento de Assuntos de Segurança Nacional da Escola Naval da Califórnia (EUA), Ahmad Ghoreishi, as chances de uma campanha militar contra o Irã são pouco prováveis e a situação deve permanecer inalterada até, pelo menos, passadas as eleições em Israel, em janeiro, e as persas, em junho.

O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, está encerrando seu segundo mandato e não ficou claro quem será seu substituto. As apostas estão com o prefeito de Teerã, Mohamad Baqer Qalibaf, e com o presidente do Parlamento, Ali Larijani. De qualquer maneira, na opinião de Ghoreishi, uma troca de presidentes no país poderá trazer alteração no programa nuclear. A mudança de direção, porém, continuaria uma prerrogativa dos clérigos que comandam o país. A economia iraniana está sob forte pressão das sanções aplicadas, que já provocaram uma desvalorização recorde da moeda, o rial. “Além disso, a Guarda Revolucionária iraniana não quer ir à guerra com Israel”, pondera o analista.

Prazo

Netanyahu pressionou o governo norte-americano para estabelecer um prazo ou uma “linha vermelha” em torno do programa nuclear iraniano. O presidente americano, Barack Obama, não cedeu às pressões, e o tema foi usado por seu adversário republicano, Mitt Romney, durante a campanha. Às vésperas das eleições legislativas israelenses, Netanyahu precisa se reaproximar do presidente. “Ele fez de tudo para Obama não se reeleger, e as pessoas em Israel estão dizendo que ele apostou no cavalo errado”, diz Ghoreishi.

Segundo o analista, os EUA estão longe de apoiar qualquer campanha militar na região nesse momento. Isso teria ficado claro na pressão para que Israel chegasse a um cessar-fogo com o Hamas, durante o acordo negociado no Cairo (Egito). “Obama precisou dele (Netanyahu) na campanha. Agora, é o premiê quem precisa de Obama.” (RT)

A Guarda Revolucionária Iraniana não quer ir à guerra com Israel”

Ahmad Ghoreishi, analista iraniano do Departamento de Assuntos de Segurança Nacional da Escola Naval da Califórnia (Estados Unidos)