Título: Em busca de candidatos mais éticos
Autor: Correia, Karla
Fonte: Correio Braziliense, 16/12/2012, Política, p. 4
Agraciada com a Medalha do Mérito Legislativo em novembro deste ano, por indicação da bancada do PPS na Câmara, a ministra do Superior Tribunal de Justiça e ex-corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Eliana Calmon marcou um encontro com deputados do partido para agradecer o gesto. Na semana passada, a bancada recebeu a ministra para um café. Em meio à chuva de elogios pelo desempenho de Eliana na luta contra os “bandidos de toga”, veio a pergunta, incisiva: “E quando é que a senhora se aposenta?”, sondou o líder do partido na Casa, Rubens Bueno (PR).Pressentindo o convite para fazer parte dos quadros da sigla, Eliana sorriu. “Acho que já entendi a pergunta”, respondeu a ministra que, educadamente, deixou claro que eventuais planos de entrar para a política só seriam cogitados a partir de 2014, quando pretende se aposentar.
Eliana inaugurou a era recente da ética no Judiciário, trilho no qual o Supremo Tribunal Federal engatou com o julgamento do mensalão. Um levantamento recente do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) mediu o clima de enlevo que a sociedade vive hoje com a Suprema Corte, com reflexos em todo o Judiciário. Nada menos que 24% dos entrevistados declararam que votariam no presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, para a Presidência da República.
Nas redes sociais, ele aparece com a toga, à semelhança da capa do Batman, apresentado como o “juiz que Gotham City precisa”. “Ele é um herói hoje”, admitiu o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR). Mas a hipótese de uma candidatura presidencial foi descartada pelo próprio Barbosa em uma entrevista, em que afirmou ser uma pessoa “improvável” para ocupar o cargo.
Não é só Barbosa que virou popular. Em julho, durante uma solenidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Gilmar Mendes foi abordado pelo deputado Júnior Campos (DEM-MT) para saber se ele gostaria de concorrer ao governo de Mato Grosso em 2014 pelo DEM. “Praticamente todos os partidos querem ele. Há anos que o estado sonha em ter de novo um matogrossense no comando”, diz o deputado demista.
Essas histórias exemplificam o capital político herdado pelo STF nos últimos meses. “O julgamento do mensalão deu um destaque sem precedentes aos ministros”, observa Rubens Bueno (PPS-PR). Para o presidente do PV, José Luís Penna, há uma fadiga em torno dos atuais políticos. “Nesse momento em que o Judiciário vive um processo de recuperação do seu prestígio, é natural que os partidos vejam nesse Poder uma nova seara de candidatos afinados com os interesses do povo”, diz o presidente do PV.