O globo, n. 31680, 02/05/2020. Tempo, p. 20
PF pede para arquivar inquérito de Flávio
Juliana Dal Piva
02/05/2020
Investigação de lavagem e falsidade ideológica eleitoral não é a da 'rachadinha'; Polícia não quebrou sigilos
A Polícia Federal (PF) no Rio concluiu com pedido de arquivamento à Justiça um inquérito que investigava possíveis crimes eleitorais cometidos pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Outro procedimento na PF fluminense que interessa ao presidente Jair Bolsonaro, este para apurar eventual falso testemunho de um porteiro de seu condomínio nas investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, deve ser finalizado nos próximos dias. A tendência é que o porteiro não seja indiciado. O inquérito eleitoral que investigou se Flávio Bolsonaro cometeu lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral ao declarar seus bens nas eleições de 2014, 2016 e 2018 foi encerrado com pedido de arquivamento e enviado ao Judiciário em março. A investigação sobre supostos crimes eleitorais de Flávio foi feita pelo delegado Erick Blatt e ocorreu durante a gestão do ex-diretorgeral da PF Maurício Valeixo. Em fevereiro, a "Folha de S.Paulo" antecipou que a PF iria concluir o caso porque não tinham sido encontrados indícios dos crimes na investigação. O GLOBO apurou que a PF concluiu o caso sem fazer quebras de sigilo fiscal e bancário. O procedimento iniciou com uma notícia crime feita pelo advogado Eliezer Gomes da Silva em 2018 que apontava o fato de Flávio ter declarado em 2014 e 2016 ser dono de um imóvel em Laranjeiras, mas ter atribuído valores diferentes ao mesmo apartamento em cada ano. Ao disputar a reeleição na Assembleia Legislativa do Rio em 2014, Flávio declarou o imóvel com valor de R$ 565 mil, mas quando disputou a prefeitura carioca em 2016 ele declarou R$ 423 mil — metade do patrimônio, que no total teria R$ 846 mil. As negociações imobiliárias de Flávio são investigadas pelo Ministério Público do Rio desde julho de 2018 como uma suposta forma de lavagem do dinheiro, por meio da devolução de salário dos servidores de seu gabinete, a prática conhecida como "rachadinha". Em fevereiro, o advogado Frederick Wassef, que atua na defesa do senador, afirmou em no taque o desfecho da investigação da PF"reforça a inocência de Flávio Bolsonaro" e que os investigadores"entenderam que não há indício de crime ou qualquer irregularidade e que, portanto, a denúncia não tem fundamento".