Título: Emprego formal cai 23,6%
Autor: Batista, Vera
Fonte: Correio Braziliense, 20/12/2012, Economia, p. 18

A criação de empregos com carteira assinada no Brasil caiu 23,6% de janeiro a novembro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o Ministério do Trabalho, foram abertas 1,77 milhões de postos de trabalho neste ano, ante 2,32 milhões nos 11 primeiros meses de 2011. Em novembro, no entanto, o mercado formal foi capaz de gerar 46.095 vagas, número pouco superior às 42.735 abertas um ano atrás.

O resultado acumulado neste ano é o pior para o período desde 2009, quando foram abertas 1,68 milhão de vagas formais. Só que, naquele momento, a economia brasileira enfrentava os efeitos da primeira etapa da crise financeira internacional, iniciada com a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, em setembro de 2008. A piora, no entanto, não deve parar por aí. Dezembro é tradicionalmente um mês de saldo negativo no emprego, quando a indústria e o comércio dispensam os trabalhadores temporários contratados para atender o movimento de fim de ano.

Em anos bons, são fechadas no país cerca de 400 mil vagas nessa época, mas, em anos em que a atividade é ruim, o número pode ultrapassar 600 mil. Por isso, a previsão do Ministério do Trabalho, de um saldo líquido de 1,4 milhão de empregos formais em 2012, pode até ser considerada otimista.

De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o desempenho positivo em novembro ficou por conta do comércio, com 109.617 contratações e do setor de serviços, que abriu 41.538 vagas. Segmentos importantes da economia apresentaram resultado negativo, como a construção civil, que registrou 41.567 desligamentos, a agricultura, com 32.733 demissões, e a indústria de transformação, que eliminou 26.110 postos de trabalho.

Perdas O Ministério do Trabalho observou que a retração na agricultura advém de fatores sazonais sendo que, na construção civil, o resultado negativo deve-se a condições climáticas adversas e ao término de contratos de grandes obras. Já para a indústria de transformação, a explicação para a perda de vagas foi o ajuste na força de trabalho que sempre é feito nessa época do ano.

Em consequência desses resultados negativos, estados e regiões onde é marcante a presença da agricultura e da construção civil apresentaram números ruins em novembro. O Centro-Oeste, por exemplo, perdeu 14.820 postos de trabalho, sobretudo devido ao desempenho ruim da agricultura e da construção civil. Na Região Norte, o fechamento de 3.660 vagas foi atribuído ao fraco desempenho da indústria e da construção civil. O emprego se expandiu nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

» Medo de demissão diminui

Apesar do fraco desempenho da economia neste ano, o medo de perder o emprego diminuiu entre a população brasileira. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Índice de Medo do Desemprego (IMD) alcançou 74,5 pontos em dezembro, uma queda de 1,1% em relação a setembro — quando foi feito o último levantamento. Na comparação com dezembro de 2011, o indicador recuou 2,6%. “A desaceleração da economia não está afetando toda a população”, avaliou o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca. Segundo ele, a atividade econômica tem sido pior entre as empresas industriais, mas os níveis de emprego, de maneira geral, têm se mantido altos na maioria dos setores. A pesquisa da CNI mostrou situações diferentes nas regiões do país. O IMD recuou no Norte, no Centro-Oeste e no Sul, mas aumentou no Nordeste e no Sudeste.