Título: Oposição e intelectuais exigem a verdade
Autor: Craveiro, Rodrigo
Fonte: Correio Braziliense, 03/01/2013, Mundo, p. 14
A oposição venezuelana exigiu ontem a verdade sobre o estado de saúde do presidente Hugo Chávez. “É essencial que o governo atue de modo que dê confiança. É essencial que diga a verdade”, declarou Ramón Guillermo Aveledo, secretário executivo do partido Mesa da Unidade Democrática. Ele tachou de “irresponsabilidade descomunal” a intenção de fazer crer que Chávez está “em pleno exercício de suas funções”. “Já que o governo prometeu à noite (na terça-feira) dizer a verdade (por meio do vice-presidente Nicolás Maduro), que diga logo e ponha fim às discussões e a todos os rumores, que são resultado do silêncio do governo.”
Um grupo de 33 personalidades de Caracas, incluindo analistas políticos, ex-embaixadores e o ex-chanceler Fernando Ochoa Antich, divulgou uma carta em que cobra acesso irrestrito ao relatório médico de Chávez.
“Em vista de que nos aproximamos, inexoravelmente, de 10 de janeiro, data na qual, de acordo com o artigo nº 231 de nossa Constituição, o presidente eleito em 7 de outubro deve tomar posse, se faz premente dispormos de uma informação médica, profissional, autorizada, confiável e independente, mediante um informe cuidadoso, detalhado e certificado do estado de saúde do presidente, elaborado por uma junta médica constituída por médicos venezuelanos”, afirma a mensagem, redigida pelo analista internacional Tony De Viveiros, ex-professor da Universidad Simón Bolívar.
Em entrevista ao Correio, pela internet, De Viveiros comentou que seu país vive uma situação político-institucional totalmente anômala, há mais de 20 dias. “O presidente foi operado pela quarta vez em 11 de dezembro, em Havana, e nós nos sentimos privados de informação. Tudo o que sabemos é que ele sofre de câncer. Em qualquer país, quando um chefe de Estado ou de governo fica doente, uma junta médica divulga tantos relatórios quanto forem necessários, para informar devidamente seus cidadãos”, reclama o especialista.
Para De Viveiros, além de ser fonte de suspeitas e de rumores infundados, a ocultação da verdade ocasiona danos mais graves que os que se pretende evitar e constitui uma “violação intolerável do direito à informação”. “Estamos seguros de que a comunidade internacional, principalmente os países de nossa própria região, jamais avalizariam uma violação à nossa Constituição e a rechaçariam, de modo de enfático, ativando imediatamente os mecanismos de defesa da democracia”, afirmou. (RC)