Título: Mais dois países suspendem carne
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Fonte: Correio Braziliense, 14/12/2012, Economia, p. 11
Depois do Japão, a China e a África do Sul deixam de comprar o produto brasileiro por suspeita de contaminação pela vaca louca
A China e a África do Sul suspenderam ontem as compras de carne bovina do Brasil, segundo o Ministério da Agricultura, em consequência de um caso não clássico do agente da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) registrado no país. No início da semana, a restrição foi anunciada pelo Japão.
Os três países não são compradores relevantes do produto do Brasil, o maior exportador de carne bovina no mundo. A Venezuela anunciou que poderá restringir a compra da mercadoria, mas ainda não tomou nenhuma medida. Há rumores de que Egito e Irã possam também impor embargo.
Segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil não teve registro da EEB, conhecida como mal da vaca louca. Admite, apenas, que houve um caso “atípico” do doença, em animal que morreu em 2010, no Paraná. O Ministério da Agricultura informou na última sexta-feira que a fêmea morta possuía o agente causador da doença, a proteína príon. Ela pode ocorrer espontaneamente em bovinos mais velhos, causando ou não a doença. No mesmo dia, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) reafirmou a classificação brasileira de risco insignificante para a doença.
Entre janeiro e outubro deste ano, o Brasil vendeu 1,024 milhão de toneladas de carne bovina ao mercado internacional. Desse total, a China comprou somente 10,1 mil toneladas, o Japão adquiriu 1,3 mil e a África do Sul, 293. O Ministério da Agricultura enviará missões oficiais a esses países para esclarecer o caso do Paraná. “É natural, ao tomar conhecimento (do caso) via imprensa, que a reação de alguns países seja de cautela”, afirmou em nota o secretário executivo, José Carlos Vaz. O órgão também tem intensificado os contatos com os maiores importadores da carne bovina brasileira.
O setor privado também está tomando medidas para esclarecer os clientes. Para a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), não existe justificativa técnica para nenhum país suspender as importações. Segundo o diretor da entidade Fernando Sampaio, o Brasil poderá tomar medidas contra nações que optarem pelo embargo. “Se isso acontecer (embargo), o Brasil tem todo o direito de contestar a decisão na Organização Mundial do Comércio (OMC)”, disse ele.
A presidente Dilma Rousseff, que está em Moscou para uma visita oficial, teve ontem um encontro com o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev. Ela não revelou se a questão da vaca louca foi discutida, mas admitiu que as exportações de carne foram tratadas na conversa. A principal preocupação brasileira é a demanda russa de um certificado que comprove a ausência de resíduos da ractopamina, um aditivo de crescimento, nas importações de carne bovina e suína. “Ele (Medvedev) considera que os produtores brasileiros tomaram todas as medidas e que, portanto, nós teremos um resultado positivo no final”, afirmou a presidente.
O Brasil baniu o uso da ractopamina em 12 de novembro. Segundo o Rosselkhoznadzor, órgão russo responsável pela vigilância, os frigoríficos daqui não têm por que se preocupar depois dos esclarecimentos que prestaram. “Está tudo certo com a carne brasileira. Eles (os produtores) garantiram que a carne que vem para a Rússia será livre de ractopamina”, disse ontem o porta-voz do Rosselkhoznadzor, Alexei Alekseenko.
Das importações de carne na Rússia, 43% vêm do Brasil. Com o maior controle sobre a ractopamina, os Estados Unidos podem perder mercado e a participação do Brasil pode crescer, afirmou Alekseenko.
» Jatos da Embraer
A Rússia abriu os caminhos para que companhias aéreas do país comprem jatos Embraer 190 e 195 ao conceder homologação para esses dois modelos, informou ontem a empresa. A Embraer estima que o país precisará de 455 novos aviões com 30 a 120 assentos nos próximos 20 anos, quando o volume de passageiros domésticos na Rússia deve crescer a uma taxa anual de 5,6%. “Este é um marco significativo no programa e permite que clientes potenciais na Rússia adicionem E-Jets às suas frotas”, disse o presidente-executivo da área de aviação comercial da Embraer, Paulo Cesar Silva, em comunicado. Com a homologação, os modelos 190 e 195 poderão operar também na Comunidade de Estados Independentes, onde os E-Jets já têm clientes no Cazaquistão, Azerbaijão, Bielorrússia e Ucrânia.
-------------------------------------------------------------------------------- adicionada no sistema em: 14/12/2012