Título: Indústria se anima com planos de investimento
Autor: Ribas, Sílvio ; Hessel, Rosana
Fonte: Correio Braziliense, 06/01/2013, Economia, p. 8

Depois de renascer das cinzas nos anos 1990, a indústria de equipamentos ferroviários se prepara para uma nova etapa, com projetos que, finalmente, começam a se concretizar no país, tanto para transportar cargas quanto passageiros. Os empresários não estão comemorando apenas os R$ 91 bilhões previstos no novo programa de investimentos do governo federal, em parceria com o setor privado, mas também os projetos estaduais e municipais voltados para a mobilidade urbana.

“Desde 1990, com a desestatização da malha ferroviária, as empresas reagiram. Grande parte fechou, mas as que ficaram foram compradas ou estão crescendo. Outras foram criadas e vários fabricantes importantes se instalaram no país”, informa o presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate. Os dois maiores produtores norte-americanos de locomotivas — General Eletric e Progress Rail — tem fábricas nas cidades mineiras de Contagem e Sete Lagoas, respectivamente.

Ricardo Chuahy, presidente da AmstedMaxion, indústria líder no segmento e uma das que sobreviveu graças a fusões, prefere aguardar uma melhor definição do cenário depois do anúncio, em agosto, do novo modelo regulatório e do pacote de investimentos. “A expectativa é boa, mas ainda é difícil fazer projeções”, afirma. Sua empresa, com duas fundições no interior de São Paulo, fornece para todas as ferrovias do país e para o exterior.

Segundo o executivo, com a previsão de implantação de mais 10 mil quilômetros de novos trechos até 2017 e investimentos que chegam a R$ 56 bilhões, nos primeiros cinco anos das novas concessões, e outros R$ 35 bilhões, nos 25 seguintes, os fabricantes estão animados. Eles apostam também nos projetos de mobilidade urbana, concentrados nas cidades sedes da Copa do Mundo de 2014. Para Abate, da Abifer, planos de novos veículos leves sobre trilhos (VLT) e monotrilhos darão novo fôlego ao setor, que “andou de lado” em 2012, com faturamento estimado em R$ 4,3 bilhões. No ano anterior, a receita dos 63 associados da entidade foi de R$ 4,2 bilhões.

Vagões novos Em razão do sucateamento dos equipamentos da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), as concessionárias investiram primeiro na recuperação da malha e de vagões. A venda média de vagões novos ficou em 700 unidades de 1997 a 2002 e o novo ritmo de encomendas só veio depois. “Nosso melhor ano foi em 2005, quando a indústria entregou 7,6 mil unidades, bem acima da média de 5 mil da década de 1970”, afirma Abate.

A retomada dos projetos de novas ferrovias, associada a incentivos como a desoneração na folha de pagamento, pode ajudar a recuperação até mesmo da indústria nacional de trilhos. “Esse é um dos poucos produtos ainda importados. Se a nova demanda se confirmar e for mantida em ritmo forte, há expectativa de que a fabricação local também volte”, aposta.