Título: Monti faz mistério sobre futuro político
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Fonte: Correio Braziliense, 24/12/2012, Mundo, p. 13
Dois dias depois da renúncia, premiê apresenta projeto de reformas para o país e comemora resultados da economia. Nega candidatura, mas se diz disposto a permanecer no governo
Durante entrevista coletiva em que apresentou um plano de reformas para a Itália e a Europa, o primeiro-ministro demissionário, Mario Monti, disse, ontem, estar disposto a dirigir o país. Sem refutar completamente a possibilidade de concorrer às eleições do próximo ano, Monti afirmou estar aberto a participar do próximo gabinete. Ele comemorou a recuperação econômica da Itália durante o tempo em que participou do governo e pediu que os dirigentes garantam a continuidade de uma agenda de reformas para ultrapassar a crise institucional e de crescimento que o país ainda enfrenta.
"Estou pronto para dar minha opinião, o meu apoio, e se me pedirem, a dirigir e assumir as responsabilidades que o parlamento me confiar", assegurou. Monti sofre pressão de parceiros europeus, da Igreja Católica e de mercados financeiros para dar continuidade aos planos econômicos que adotou nos 13 meses de sua gestão, mas não pode participar diretamente das eleições, já que ocupa o cargo de senador vitülício. Ele pode, no entanto, aceitar indicações para outras posições depois que as eleições forem decididas, inclusive para mais um mandato como primeiro-ministro.
Uma candidatura aberta significaria a Mario Monti umèmbate direto contra Pier Luigi, candata esfuera e favorito ao cargo, que compartilha com ele ideais reformistas. Silvio Berlusconi, que já atacou diretamente o desempenho dele, seria outro forte concorrente. "Não há nada para salvar 4o governo Monti", disse o ex-premiê no sábado. A critica não ficou sem resposta, Monti classificou as declarações contraditórias de Berlusconi, que chegou a convidá-lo para uma coalizão moderada, como "constemantes".
Primeiro-ministro demissionário assumiu o cargo de premiê em dezembro de 2011, indicado pelo presidente Giorgio Nagolitano, após a renúncia de Berlusconi. Na época, a Itália estava extremamente fragilizada e lutava para sobreviver à crise europeia. "Eu posso dizer que a emergência financeira foi superada e os italianos podem novamente ser cidadãos da Europa e caminhar de cabeça erguida".