Título: Sudeste lidera conquistas no plano social
Autor: Temóteo, Antonio
Fonte: Correio Braziliense, 02/12/2012, Economia, p. 13

Pesquisa mostra que, dos 100 municípios com melhor desempenho em saúde, educação, emprego e renda, 98 estão em São Paulo

Investimentos em educação básica e saúde, além da geração de postos de trabalho e da distribuição de renda, foram essenciais para potencializar a evolução socioeconômica dos municípios brasileiros na última década. É o que aponta o Índice de Desenvolvimento Municipal, divulgado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). O indicador, que varia de 0 a 1, mostra os melhores resultados das 5.565 cidades brasileiras. De acordo com o estudo, entre os 100 municípios com melhor desempenho, 98 são paulistas, com destaque para Indaiatuba, que recebeu a melhor nota do país (0.9486). O gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Guilherme Mercês, explica que a liderança das cidades de São Paulo está relacionada aos investimentos em educação básica. Ele ressalta que as crianças estão em sala de aula, não abandonam a escola, estão matriculadas na série correspondente à idade e são orientadas por professores de mais qualidade. "Isso também se reflete no mercado de trabalho, na distribuição de renda e no indicador de saúde. Sem dúvida, a educação é o grande pilar do desenvolvimento", comenta. Enquanto os municípios com melhor desempenho se concentram na Região Sudeste, 96,4% dos 500 piores estão nas regiões Norte e Nordeste. Segundo Mercês, nas cidades em que o indicador trouxe um resultado ruim, há pouca formalização do trabalho e os rendimentos são baixos. "Em geral, o mercado de trabalho formal está concentrado nos grandes centros urbanos. É preciso expandir a formalidade para o interior do Brasil", diz o chefe do estudo. A partir dos resultados extraídos com base no índice, a Firjan avalia que esse é o desafio para a próxima década, sobretudo nas regiões menos desenvolvidas.

Transformações

Para o professor de economia da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Piscitelli, os resultados não são uma surpresa. Ele argumenta que, apesar da redução das desigualdades sociais e da distribuição de renda nos últimos anos, a qualidade do ensino ainda não é satisfatória. O estudioso diz que somente por meio dele é possível promover as transformações necessárias para que o Brasil deixe a condição de emergente e se torne potência mundial. Piscitelli considera essencial a retomada do planejamento para que, a longo prazo, os brasileiros aumentem os níveis de escolaridade e busquem melhores postos de trabalho. "O país deixou em segundo plano a educação e sofre por isso. Esse é o grande nó que trava o crescimento, e resultados efetivos de um programa para melhorar esse cenário não aparecem em pouco tempo", pontua.

3,9% mais Publicado anualmente, o estudo utiliza estatísticas oficiais divulgadas pelos ministérios do Trabalho, da Educação e da Saúde—no divulgado agora pela Firjan, os dados eram referentes a 2010. A média brasileira do IFDM atingiu 0.7899 ponto, um crescimento de 3,9% em relação a 2009.