Título: Pouco a comemorar
Autor: Rodrigues, Gizella; Paranhos, Thaís
Fonte: Correio Braziliense, 02/12/2012, Cidades, p. 24

Para o professor de arquitetura e urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) Frederico Flósculo, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade significa celebrar a "inteligência brasileira". "Brasília foi criada por um grupo de brasileiros geniais, de grande talento, competência e coragem", opinou. Mas, apesar da honraria, não há muito o que comemorar para ele.

"A preservação do que temos hoje se deu muito mais por inércia do que por ação do governo. Também não conseguimos seduzir a população e os empresários a defender a cidade. Os puxadinhos, as mudanças de uso do solo e as invasões no Lago Paranoá testemunham que nem o governo nem a população entenderam até hoje o que é esse título. Uma incompreensão que comemora 25 anos", completou.

Defendido por urbanistas, o tombamento enfrenta críticas de empresários. O presidente da Associação Comercial do DF, Cléber Pires, ressalta a importância da proteção, com ressalvas. "Se o tombamento não tivesse ocorrido, a cidade teria sido destruída. Foi feito no momento oportuno, mas há erros que precisam ser reparados. Agora, é hora de adequação", sugeriu. O presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do DF (Ademi), Adalberto Valadão, também apontou a necessidade de algumas mudanças. "A cidade é dinâmica e tem que se ajustar ao longo do tempo. O importante é não perder a visão do desenvolvimento, sem prejudicar o tombamento", completou.