Título: Chavistas sob pressão
Autor: Craveiro, Rodrigo
Fonte: Correio Braziliense, 04/01/2013, Mundo, p. 15
Oposição propõe substituição temporária do presidente. Primeira-dama do Uruguai cita "estado muito delicado
O mistério em relação à saúde do líder venezuelano, Hugo Chávez Frías, ganhou força ontem, com a cO mistério em relação à saúde do líder venezuelano, Hugo Chávez Frías, ganhou força ontem, com a chegada a Havana de Adán Chávez, o irmão mais velho, e de Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional. A senadora e primeira-dama do Uruguai, Lucía Topolansky, afirmou ao portal UNoticias que o estado de Chávez é “muito delicado e bastante imprevisível”. As informações teriam sido repassadas a ela por Julio Chirino, embaixador da Venezuela em Montevidéu, e por Ariel Bergamino, representante uruguaio em Cuba. Segundo Lucia, o marido pretendia visitar o colega, mas foi aconselhado a não ir, porque “não existe possibilidade de vê-lo”. Com o governo da Venezuela praticamente acéfalo, a oposição intensificou a pressão e propôs a substituição temporária de Chávez, que trava uma batalha contra um câncer.
“Nossa proposta implica sua substituição temporária, como prevê a Constituição, de modo que o país tenha continuidade”, defendeu Ramón Guillermo Aveledo, secretário executivo da Mesa de Unidade Democrática (MUD), citado pelo jornal venezuelano El Nacional. Ao assegurar que a oposição não pretende assaltar o poder, Aveledo alertou que a tensão no governo tem causado uma distorsão. “Estão se esquecendo d que este é um país muito maior do que o pequeno círculo de poder”, declarou, referindo-se ao vice-presidente Nicolás Maduro, que adiou o retorno à Venezuela .
O prefeito de Caracas, António Ledezma, defende que uma comitiva de parlamentares, governadores e por ele próprio viaje a Cuba para verificar a condição de Chávez. “Não estou pedindo permissão para ir a Cuba. Creio que temos direito de ir ver o que se passa. (…) Já basta de mistérios. A Venezuela não é uma colônia de Cuba”, criticou.
Com 311 mil seguidores no Twitter, o médico venezuelano José Rafael Marquina garantiu ao Correio que Chávez segue em estado crítico e irreversível (Leia o depoimento). O jornalista Nelson Bocaranda, colunista do El Universal, avalizou a versão e explicou que Adán Chávez foi chamado à ilha por Rosa Virginia e por Rosinés, filhas do presidente, para ajudar a decidir sobre o desligamento das máquinas. Segundo ele, Chávez não responde a qualquer tratamento.
Ausência
Sob a condição de anonimato, uma fonte diplomática venezuelana classificou de “rumores” as informações. Ela contou ao Correio que Chávez apresenta problemas respiratórios, mas está consciente. “O estado de saúde do presidente é delicado e requer cuidado, pois qualquer descuido pode torná-lo crítico”, explicou. De acordo com a mesma fonte, Cabello, Maduro e a cúpula chavista debatem se declaram o pedido de ausência temporária de Chávez. “Isso daria 90 dias para ver se ele se recupera. Existe a possibilidade de ele ser conservado como uma espécie de mentor político. A Assembleia Nacional decretaria a falta absoluta de Chávez e ele atuaria como um assessor e um símbolo”, comentou. “É preferível um Chávez vivo e apoiando o governo a um Chávez exercendo o poder e se desgastando com o câncer.”
A intervenção em um processo transitório na Venezuela foi descartada pelos EUA. “Obviamente, falamos com venezuelanos de todo o espectro político, como fazemos com todos os países”, declarou Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado americano. “Qualquer transição política na Venezuela tem de ser produto das decisões dos venezuelanos, não existe uma solução ‘made in America’.” Ontem à noite, o site do jornal O Globo noticiou que a presidente da República, Dilma Rousseff, determinou que o assessor especial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, vá à Cuba para monitorar a saúde de Chávez. A assessoria da Presidência não confirmou a informação.
Já basta de mistérios. A Venezuela não é uma colônia de Cuba” António Ledezma, prefeito de Caracas
Depoimento Decisão de desligar aparelhos
» José Rafael Marquina
“Hugo Chávez não experimentou qualquer melhora. Ele continua em suporte respiratório, e a sua família está decidindo se desligará os aparelhos. Adán Chávez, o irmão mais velho do presidente, está em Cuba, fundamentalmente para se reunir com os médicos e tomar essa decisão. A informação de que Chávez está consciente não é verdadeira. Os especialistas estão suspendendo o tratamento contra o câncer. É impossível que uma pessoa tão enferma, com pneumonia avançada e com falência respiratória, não esteja em grave condição. Algumas pessoas transmitem informações que não estão certas e que fazem apenas confundir a opinião pública. A situação só chegará a um fim depois que desconectarem o respirador. Isso pode se estender por várias semanas.
Eu não vou revelar a ninguém sobre quem me fornece as notícias sobre Chávez, pelo menos não neste momento. O presidente não tem qualquer possibilidade de prestar juramento, no próximo dia 10. E isso é um fato. Os médicos estão administrando em Chávez a albumina, uma substância para melhorar a função renal e a pressão arterial. Mas os sinais vitais dele estão muito fracos e são mantidos à base de medicamentos.”
Médico venezuelano radicado em Miami, garante ter informações privilegiadas sobre o prontuário de Hugo Chávez