Título: Menos investimentos
Autor: Hessel, Rosana
Fonte: Correio Braziliense, 16/01/2013, Economia, p. 11
Após não registrar ganhos no ano passado, as empresas industriais reduziram as pretensões de investimento em 2013 e vão concentrar os projetos no mercado doméstico. No momento em que investir na produção se tornou decisivo para tirar a economia brasileira do marasmo, uma pesquisa anual divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que o setor está pouco entusiasmado.
Apesar de o número de empresas com intenção de investir este ano — 85,4% do total — ser maior que o percentual que efetivamente o fez no ano passado (80,2%), essa disposição é a menor desde 2009. Naquele ano, 86,6% das indústrias anunciaram o desejo de aplicar recursos no ano seguinte. Por outro lado, o total de companhias que investiram, de fato, em 2012 foi o pior em quatro anos.
O recuo no número de indústrias com esses planos em 2013 é resultado de uma combinação de receio com o cenário econômico, ressaca pelas frustrações do ano passado e persistência da capacidade ociosa nas fábricas. “Mesmo existindo uma aposta de melhoria nos negócios, os executivos pesquisados mostram dúvidas com a evolução das demandas doméstica e internacional”, avaliou Flávio Castelo Branco, gerente executivo de Política Econômica da CNI. Não por acaso, o principal fator de inibição ao investimento continua sendo as incertezas da economia, conforme indicam 44% dos entrevistados.
Em 2012, só metade das empresas (50,2%) completaram os seus projetos planejados para o período ante os 57,8% do ano anterior. Apesar disso, a entidade considera o comportamento como adequado para garantir uma produção suficiente para atender o mercado ao longo deste ano. A disposição em comprar máquinas e equipamentos este ano, manifestada por 57,9% das empresas ante 45,9% em 2012, foi ofuscada pelo fato de ela estar atrelada a um interesse maior pelas opções importadas. Para 38,5% das indústrias, essa é a preferência.
Outro receio está no foco prioritário dos investimentos em 2013 ser o mercado doméstico, oferecendo novos produtos. O mercado externo despertou o menor interesse em 10 anos. Apenas 14,7% disseram que visam atender as demandas interna e externa. O levantamento da CNI consultou 584 empresas, de 25 de outubro a 30 de novembro.