Título: Fábricas prejudicadas
Autor: Hessel, Rosana
Fonte: Correio Braziliense, 16/01/2013, Economia, p. 11

O setor industrial rejeita a sua inserção na lista dos principais responsáveis pela atual disparada de preços. Para os economistas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a exemplo dos últimos anos, a inflação continua sendo pressionada basicamente pelo encarecimento dos valores cobrados no mercado doméstico de serviços e dos alimentos cotados no mercado internacional. Nesse contexto, avaliam, as fábricas estariam entre os grupos prejudicados pela variação dos índices gerais, sobretudo na forma de aumento do custo de mão de obra.

“Os indicadores inflacionários vêm, há tempos, sendo liderados pelos serviços, com variações médias de até 10% ao ano. A indústria, por sua vez, responde, numa inflação de 6%, por menos de um ponto percentual (no índice geral)”, explicou Flávio Castelo Branco, gerente executivo de Política Econômica da CNI. De acordo com ele, uma prova disso é que as manufaturas têm sido reajustadas abaixo dos últimos percentuais anuais do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medidor oficial de inflação.

Castelo Branco acrescentou que a atual capacidade do setor de atender plenamente a demanda, considerando a existência de ociosidade nas linhas de produção, também evita pressões por reajustes de seus produtos. “Com o ritmo dos investimentos adequado para as expectativas de evolução das compras, também fica descartado qualquer gargalo na oferta."