Título: Agente é executado
Autor: Walker, Gabriela
Fonte: Correio Braziliense, 18/01/2013, Mundo, p. 16
Os islamitas somalis do grupo Al- Shabaab, aliado da Al Qaeda, anunciaram ontem que mataram o agente secreto francês Denis Allex, sequestrado em 2009 na Somália. O agente era dado como morto pela França desde a tentativa de resgate fracassada no sábado. Um homem que se declarou islamita e pediu anonimato disse que "arquivos de som e de vídeo estão disponíveis e serão divulgados quando decidirmos", ao ser questionado sobre a existência de provas da execução.
Allex era um dos nove franceses sequestrados na África, dos quais cinco estão no Níger, dois em Mali e outro na Nigéria. A maioria deles está em mãos do grupo terrorista Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI). Após seu sequestro, o agente apareceu em duas ocasiões em vídeos publicados por sites radicais islâmicos, nos quais suplicava ajuda ao presidente François Hollande e pedia que a França deixasse de apoiar o governo da Somália.
Os milicianos anunciaram a execução na página que mantêm no microblog Twitter. "Às 16h30 (14h30 de Brasília) de quarta-feira, 16 de janeiro de 2013, Denis Allex foi executado", anunciaram os shebab. A autenticidade da mensagem foi garantida por um líder do movimento. No mesmo dia, os guerrilheiros haviam anunciado que a decisão de matar Allex era unânime, em vingança pela "morte de muçulmanos durante a operação francesa", segundo o site The EastAfrican. Testemunhas disseram que oito civis morreram no ataque.
Missão
Denis Allex pertencia à Direção-Geral da Segurança Exterior (DGSE), da França. Quando foi sequestrado, em Mogadíscio, participava de uma missão de apoio ao governo de transição na Somália. Durante a tentativa de resgate de Allex, no sábado passado, o chefe dos comandos que realizaram a operação teria morrido, segundo os integrantes da milícia islâmica Al-Shabaab. Eles divulgaram fotografias de um jovem fardado morto com o rosto manchado de sangue e um crucifixo no pescoço. Como legenda da imagem, os fundamentalistas islâmicos escreveram: "O retorno das cruzadas, mas a cruz não pôde salvar o soldado da espada".