Título: Indústria cai 2,7% em 2012 e enterra o PIB
Autor: Ribas, Sílvio
Fonte: Correio Braziliense, 02/02/2013, Economia, p. 12
Produção das fábricas acumula cinco trimestres de queda e torna insegura a recuperação da economia neste ano
Em queda há cinco trimestres consecutivos, a indústria brasileira fechou 2012 com recuo de 2,7% na produção, o pior resultado desde 2009, no auge da crise econômica mundial, quando o tombo havia sido de 7,4%. O índice, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que os incentivos fiscais dados pelo governo no ano passado, como a desoneração da folha de pagamento de diversos setores e a redução de impostos para eletrodomésticos e carros, serviram só para baixar os estoques acumulados pelas empresas no período anterior, mas não para ampliar a capacidade produtiva.
O resultado negativo praticamente sacramentou a expectativa de que o Produto Interno Bruto (PIB), que mede a atividade de todos os setores, teve crescimento pífio no ano passado — nada além de 1%, segundo a maioria dos analistas. O dado oficial será divulgado pelo IBGE no início de março. Além disso, o desempenho ruim observado no fim do ano mostra que a indústria entrou em 2013 em ritmo inferior ao do início de 2012, o que torna pouco segura a recuperação não apenas do setor, mas da economia como um todo, ameaçando a meta do governo de fazer o país avançar 3,5% neste ano.
As próprias empresas preveem uma recuperação lenta e irregular em 2013, conforme apontou recente levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Os atuais problemas são os altos custos de produção e a utilização da capacidade instalada, que está acima de 80%. O crescimento do setor depende muito de mão de obra barata e de investimento em infraestrutura”, observou Mariana Hauer, economista do banco ABC Brasil. Os analistas de instituições financeiras apostam em expansão de 3,1% na produção das fábricas neste ano, segundo pesquisa feita semanalmente pelo Banco Central.
Importados De todas as 27 categorias industriais analisadas pelo IBGE, 17 produziram menos em 2012. Entre os destaques negativos, o que mais influiu no indicador geral, dado o peso que tem na economia, foi o ramo de veículos automotores, que amargou uma queda de 13,5%, produzindo impacto sobre toda a cadeia de motores e autopeças. Afetado pela concorrência externa, o segmento que reúne material eletrônico e aparelhos de comunicações também encolheu 13,5%. Equipamentos de informática sofreram tombo da mesma proporção, seguidos por vestuário (-10,5%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-5,2%).
Entre as 10 atividades cuja produção aumentou, as mais importantes foram as áreas de refino de petróleo e produção de álcool, com alta de 4,1%, e a de equipamentos de transporte (excluindo veículos automotores), que registrou elevação de 8,5%.
Investimento fraco Em dezembro, a produção industrial ficou estável frente a novembro, que teve a queda na atividade revisada para baixo, de 0,6% para 1,3%, no pior desempenho mensal desde janeiro de 2011. Um dado que aumenta a preocupação com a evolução do PIB veio da fabricação de máquinas e equipamento. Considerado um termômetro dos investimentos diretos, o setor mostrou, no último mês do ano, uma retração de 14,7%, a mais expressiva desde junho (-15,5%). No ano, a atividade do segmento caiu 10,8%. “A queda em bens de capital é ruim, pois mostra os baixos investimentos no país”, disse André Macedo, gerente do IBGE responsável pela pesquisa.
Outro sinal de alerta foi a queda de 3,5% em bens de consumo duráveis, que interrompeu em dezembro uma série de resultados positivos iniciada em agosto. O desempenho mensal foi influenciado, basicamente, pela fabricação menor de motos (-35,8%), celulares (-26,7%) e móveis (-6,9%).
O economista Flávio Combat, da Concórdia corretora, ressaltou que, com a volta da carga tributária original, a produção de automóveis deve passar por uma “expressiva desaceleração” nos próximos meses. Ele acrescentou que o comprometimento de parte da renda das famílias com dívidas já contraídas para comprar bens duráveis de consumo deve também provocar um arrefecimento na atividade industrial neste trimestre.
» Carros têm o melhor janeiro
As vendas de automóveis e comerciais leves somaram 296.853 unidades no mês passado, informou a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Foi o melhor janeiro da história no setor, superando o recorde de 252,7 mil unidades de igual mês de 2012. A comercialização de caminhões e ônibus totalizou 14.604 unidades, recuo de 6,37% sobre janeiro de 2012. “Estamos otimistas com a economia em 2013. Acreditamos em crescimento de 3%”, afirmou o presidente da MAN Latin America, fabricante de caminhões e ônibus da Volkswagen, Roberto Cortes.