Título: Venda recorde de planos de saúde
Autor: Oliveira, Priscilla
Fonte: Correio Braziliense, 02/02/2013, Economia, p. 15

Dados da ANS apontam que 67 milhões de pessoas têm seguro médico e odontológico. A maior parte é empresarial

Apesar da recorrente má qualidade dos serviços prestados e das sanções impostas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), as operadoras de planos de saúde bateram o recorde de vendas em 2012. Quando incluídos os convênios odontológicos, o mercado somou, em setembro do ano passado, 67 milhões de usuários, número 5,17% maior que o registrado no mesmo período de 2011. Para o superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), Luiz Augusto Carneiro, o bom desempenho está diretamente ligado à expansão do emprego formal no país. “A taxa de desemprego divulgada em dezembro, pelo governo, foi a menor (4,6%) de toda a série histórica, que teve início em 2002. Essa estabilidade garante o crescimento e a manutenção da quantidade de beneficiários”, afirmou Carneiro.

Além disso, a consolidação do mercado de trabalho influenciou no aumento do número de planos de saúde empresariais. De acordo com o balanço, divulgado ontem pela ANS, dos 37,4 milhões de usuários com seguros coletivos, 30,8 milhões estavam ligados aos benefícios oferecidos por empresas — alta de 31,7% em relação a dezembro de 2008. “As pessoas conseguem um emprego e ganham o direito ao plano de saúde, que geralmente é pago integralmente pelo contratante”, explicou o superintendente do IESS.

Carneiro destaca que os seguros empresariais são também vantajosos para a operadora que presta o serviço. “Há uma propensão de que o segurado utilize menos o benefício nesse tipo de plano, já que não foi ele que o escolheu. O funcionário por acaso entrou em uma empresa que lhe deu essa opção. No caso dos individuais, o usuário compra aquele direito justamente por precisar usar o que é pago”, avaliou.

Reclamações Pela primeira vez, o índice de reclamação das operadoras de pequeno porte foi maior que o das grandes empresas — 0,89 e 0,86, respectivamente. “As maiores têm mais condições de dar assistência. Em uma situação em que ambas dividem atendimentos em um hospital, por exemplo, elas sempre conseguem mais leitos e mais horários para exames e consultas”, explicou a coordenadora institucional da Associação de Defesa do Consumidor (Proteste), Maria Inês Dolci.

Segundo ela, o setor ainda precisa vencer o gargalo relacionado às redes de atendimento. “O número de usuários cresce, mas o de redes, não. Assim, a conta nunca fecha. Esse problema vem de longa data, e é um dos maiores entraves para a melhoria dos serviços prestados ao consumidor”, disse Dolci. Por causa de queixas desse tipo, em janeiro deste ano, a ANS suspendeu a venda de 225 planos de 28 operadoras.

» Suspensões

Desde o ano passado, a ANS tem suspendido a comercialização de planos de saúde de operadoras que não cumprem os prazos máximos de marcação de consultas. A última intervenção foi feita em 11 de janeiro deste ano e vale até março, quando a agência reavaliará os índices de reclamações das operadoras.