Título: Rubens Paiva foi assassinado no DOI-Codi
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Fonte: Correio Braziliense, 05/02/2013, Política, p. 7
Comissão Nacional da Verdade confirma que o ex-parlamentar morreu após ser torturado em unidade do Exército Juliana Braga
O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Cláudio Fonteles, tornou público ontem documento escrito por ele no qual conclui que o ex-deputado Rubens Paiva foi torturado e assassinado nas dependências do Destacamento de Operações de Informações — Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), órgão ligado ao Exército. Até então, a versão oficial era a de que o ex-parlamentar havia fugido durante uma diligência. A comissão, agora, tentará localizar agentes que o prenderam e que estiveram com Rubens Paiva na prisão, para ouvi-los.
Fonteles chegou a essa conclusão após encontrar no Arquivo Nacional documentos secretos do Serviço Nacional de Inteligência (SNI) que detalham como a prisão se deu. Em 1971, agentes do serviço de informação da Aeronáutica prenderam Cecília de Barros Correia Viveiros de Castro e Marilene de Lima Corona, que retornavam do Chile com cartas de asilados políticos endereçadas a Rubens Paiva.
Nos documentos, Fonteles encontrou também o depoimento de Cecília. Ela diz ter visto Rubens Paiva com as mãos amarradas, “os olhos esbugalhados” e manchas de sangue na camisa. Também contou que ouviu o parlamentar cassado dizer o próprio nome a um agente e, momentos depois, pedir água e um médico.
Essas descobertas se somam ao depoimento do médico Amílcar Lobo, prestado em 1986, quando afirmou ter atendido Rubens Paiva. Disse que ele tinha sintomas de hemorragia e aconselhou que fosse hospitalizado. Quando voltou para trabalhar, na manhã seguinte, o médico soube que Paiva tinha morrido. “Mentiu, sim, a versão oficial do Estado ditatorial militar que disse que ele (Paiva) estaria foragido até hoje. É uma mentira terrível”, concluiu Fonteles.
A próxima reunião da Comissão da verdade será em 18 de fevereiro, já sob a coordenação do cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, que substituirá Fonteles, cujo mandato acaba no dia 15. Cláudio Fonte informou ainda que o conselheiro Gilson Dipp, afastado por motivos de saúde, voltará aos trabalhos ainda este mês.
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