Título: Alívio em Brasília
Autor: Pinto, Paulo Silva
Fonte: Correio Braziliense, 08/02/2013, Economia, p. 8
Brasília teve a menor inflação entre as 11 cidades (veja quadro) pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tanto para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) quanto para o Índice Nacional de Preços (INPC). No primeiro caso, o impacto no bolso do brasiliense foi de 0,46%, e a média nacional, de 0,86%. No segundo, foi de 0,49%, sendo 0,92% para o conjunto da amostra.
As passagens aéreas colaboraram bastante para o resultado abaixo dos indicadores nacionais. Embora, no país, esse item tenha se elevado 5,15% em janeiro, para quem comprou bilhetes a partir da capital federal houve queda de 1,42%. “E, no caso do orçamento das famílias de Brasília, esse item tem peso maior do que nas outras cidades, porque a população usa aviões com maior frequência”, explicou a economista Eulina Nunes, coordenadora dos índices de preços do IBGE. No caso das passagens interestaduais, também foi registrada, em Brasília, redução de 3,06%. Para as outras localidades analisadas, o que se leva em conta são os ônibus intermunicipais, que tiveram aumento de 2,84%.
Apesar dos números favoráveis, os brasilienses estão frustrados com as etiquetas nas lojas, sobretudo nos casos de produtos duráveis. “É exaustivo conseguir uma promoção, ganhar um desconto. Realmente, os preços estão surreais”, declarou a psicóloga Daniela Brauer, 34 anos, que quer comprar uma geladeira, um fogão e uma máquina de lavar. Ela pretende desembolsar entre R$ 3 mil e R$ 4 mil com os três itens, mas teme não conseguir.
Itens cortados Depois de meses de espera, o carpinteiro Domício de Jesus Bispo de Souza, 47, adquiriu ontem o aparelho de som que tanto queria. Mas ele disse ter perdido com a demora em se decidir. O aparelho, que chegou a custar R$ 1,2 mil, foi comprado por R$ 1,6 mil. “Esperei para ver se o preço ia ficar mais em conta. Só que não ficou.”
O carrinho de compras nos supermercados também encareceu. Para driblar as altas e se limitar aos R$ 450 que reserva para esse gasto, a professora Paula Maria dos Santos precisou cortar alguns itens. “O que está pesando mais é o preço do tomate e o da farinha de mandioca. Não tem como pagar tão caro”, disse.