Título: Presidiários vão ser transferidos
Autor: Chaib, Julia
Fonte: Correio Braziliense, 09/02/2013, Política, p. 6

Depois de dispensar a ajuda da Força Nacional, governo catarinense prepara lista de presos que devem ser levados para penitenciárias federais

O governo de Santa Catarina já está com a lista de detentos que serão transferidos para presídios federais. A informação foi dada ao Correio por um funcionário da Secretaria de Segurança Pública do estado. Ele não revelou o nome dos presos, que estão entre os mais perigosos do sistema carcerário, nem quando eles deixarão as cadeias catarinenses. A secretaria estadual de Justiça, da qual faz parte o Departamento de Administração Prisional (Deap), confirma a decisão de transferir alguns líderes de facções criminosas. O órgão, no entanto, não dá nenhum detalhe sobre como está sendo preparada a operação de transferência.

Os motivos para não abrir as informações estão relacionados ao caráter estratégico da operação e à própria segurança das pessoas envolvidas. Segundo a assessoria do órgão, advogados de presos perigosos já começaram a se mobilizar para descobrir o conteúdo da lista, com o objetivo de impedir a transferência com ações judiciais.

Na quinta-feira, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, confirmou a intenção do governo de Santa Catarina de transferir presos do estado para unidades federais de segurança máxima. De acordo com o ministro, as remoções vão começar assim que solicitadas pelo governador, Raimundo Colombo.

Embora tenha aceitado a ajuda do governo federal em relação à abertura de vagas penitenciárias, o governo de Santa Catarina rejeitou a oferta de ajuda da Força Nacional de Segurança. O secretário de Segurança de SC, César Augusto Grubba, descartou publicamente o envio de tropas federais. De acordo com ele, a quantidade de policiais enviada seria pequena e o estado tem o controle da situação. Ele espera que o número de ataques caia nos próximos dias.

Até o fim da tarde de ontem, segundo dados da Secretaria de Segurança, foram registrados 83 atentados, incluindo 13 tentativas frustradas, em 27 municípios. No total, foram incendiados 41 ônibus, 23 carros particulares e veículos policiais. Em Florianópolis, muitas empresas tiraram coletivos de circulação com medo de novos atentados. Muita gente está sendo obrigada a percorrer, a pé, longos trechos para encontrar condução.

Os ataques começaram em 30 de janeiro e podem estar relacionados a denúncias de maus-tratos em presídios e à ameaça de transferências de presos para penitenciárias federais de segurança máxima.

A Polícia Militar de Santa Catarina intensificou, por meio da Operação Alegria, o policiamento do estado neste período de carnaval. Cerca de 9 mil policiais militares ficarão distribuídos por todos os municípios que têm tradição nos festejos de rua. O efetivo está reforçado especialmente em Joaçaba, Laguna, Balneário Camboriú, Navegantes, São Francisco do Sul e na Grande Florianópolis, onde estão programados eventos que devem atrair grande público. Mas o governo do estado garante que o esquema de segurança montado para a folia não tem relação com a série de ataques dos últimos 10 dias.

82 Número de ataques em SC até o início da noite de ontem