Título: Coreia do Norte ameaça vizinho
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Fonte: Correio Braziliense, 26/01/2013, Mundo, p. 19

Kim Jung-un advertiu Seul por se aliar às sanções do Conselho de Segurança

Um dias após direcionar ameaças ao governo norte-americano, ao anunciar os planos de realizar novos testes nucleares que teriam como alvo os Estados Unidos, o regime ditatorial da Coreia do Norte admitiu ontem a possibilidade de atacar a vizinha Coreia do Sul caso o país faça acate a nova rodada de sanções impostas pelas Nações Unidas contra Pyongyang. "Se os traidores do regime fantoche da Coreia do Sul participarem diretamente das alegadas "sanções" da ONU, serão tomadas severas represálias físicas", advertiu o Comitê para a Reunificação Pacífica da Pátria, da Coreia do Norte, em comunicado divulgado pela agência estatal de notícias KCNA. Cauteloso, o Ministério de Unificação sul-coreano se recusou a comentar as ameaças do lado norte da península e se limitou a dizer que o país vizinho deve se abster de provocações.

O "pior inimigo" dos norte-coreanos, por outro lado, não se calou diante das ameaças dos últimos dias. Para o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, "a declaração da Coreia do Norte é uma provocação desnecessária", uma vez que um novo teste nuclear — o país já realizou um em 2006 e outro em 2009 — representaria uma violação significativa às sanções do Conselho de Segurança e isolaria o regime comunista de Kim Jong-un ainda mais. O secretário americano de Defesa, Leon Panetta, foi mais incisivo ao responder às provocações e garantiu que "os Estados Unidos estão preparados para lidar com qualquer tipo de provocação".

Ainda no mesmo comunicado, o Comitê norte-coreano afirmou que as sanções da ONU "são uma declaração de guerra contra o regime". O protesto foi motivado pela decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas de ampliar as sanções contra o governo de Kim Jong-un, na última terça-feira. De forma unânime, os 15 atuais membros do seleto grupo da ONU aprovaram um texto que condena o lançamento de um foguete norte-coreano em dezembro do ano passado. A principal surpresa, no entanto, veio com a mudança de postura da China em relação ao seu histórico aliado comunista.

Nos últimos dias, os chineses não só engrossaram o coro a favor da punição contra a Coreia do Norte, ao votarem a favor da resolução, como também publicaram uma rara advertência contra Pyongyang. "Se a Coreia do Norte realizar novos testes nucleares, a China não vacilará em reduzir sua ajuda", escreveu o editorial do diário estatal Global Times, ontem, se referindo à considerável assistência econômica que Pequim presta aos norte-coreanos. "Deixemos a Coreia do Norte com sua "ira"", escreve o jornal, acrescentando que "a China deve reduzir suas expectativas quanto aos efeitos de suas estratégias. Nos afastamos cada vez mais do objetivo de sua desnuclearização".

"Parece que a Coreia do Norte não aprecia os esforços da China. Critica a China sem dizer seu nome explicitamente", prosseguiu, mencionando o polêmico comunicado da KCNA da última quinta-feira, quando a agência do governo de Kim Jong-un ameaçou os Estados Unidos e insinuou que Pequim estaria sob influência dos americanos. O enviado americano para assuntos direcionados a Pyongyang, Glyn Davies, garantiu que os chineses, influenciados ou não, têm concordado com os americanos sobre as políticas relacionadas ao controverso programa nuclear de Pyongyang. "Nós atingimos um forte consenso de que um teste nuclear será preocupante e bloqueará os esforços para a desnuclearização da Península Coreana. A desnuclearização é uma condição necessária para a paz e estabilidade na península coreana", afirmou.