Título: Vantagens ambientais
Autor: Ribas, Sílvio; Dinardo, Ana Carolina
Fonte: Correio Braziliense, 17/02/2013, Economia, p. 10
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) exige do governo planejamento de médio prazo para dar competitividade ao etanol, afetada nos últimos anos com os preços artificialmente defasados da gasolina. “O êxito do programa de biocombustíveis, hoje representado pelos automóveis flex, depende de uma política clara e transparente para o álcool hidratado, e não somente para o anidro, que é misturado à gasolina”, sublinhou Marcos Jank, diretor da Unica. Para ele, os empresários da cana precisam de renda previsível para amparar a decisão de investimentos.
Já a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), representante das montadoras, esclarece que cada sócia tem sua própria postura perante os dilemas da motorização moderna. Mas ressalta que a eficiência energética é uma das prioridades estratégicas dos fabricantes, incluindo o programa de estímulo fiscal Inovar Auto, lançado em outubro pelo governo.
Entre os compromissos propostos pelo decreto do Ministério do Desenvolvimento, está o de gastar 12% menos combustível a partir de 2017. Em paralelo, o governo trabalha na conclusão de um pacote de medidas para reanimar o interesse da indústria e do consumidor pelo combustível renovável. Os usineiros já fizeram até campanha de mídia para convencer o público das vantagens ambientais e sociais de se abastecer com álcool.
Reações As marcas automotivas com fábricas no país enaltecem o fato de que os bicombustíveis caíram rápido no gosto do consumidor brasileiro, um dos mais exigentes do mundo. Uma prova disso é que, já no terceiro ano de sua existência, esses modelos atingiram a metade das vendas domésticas de veículos leves novos. Desde 2007, não mais se fabricam carros movidos apenas a álcool e dos 32 milhões de automóveis em circulação com até 10 anos de uso, 18,8 milhões, ou 59% do total, são flex. Ano passado, 3,16 milhões de carros flex foram vendidos no país, ou 86% do total, de 3,63 milhões.
O administrador Evandro Filho, 35 anos, nem sequer cogita abastecer o seu carro com etanol. Ele disse que apesar de o preço da gasolina ter subido recentemente, a relação custo-benefício ainda não compensa. Desembolsando R$ 130 por semana nos postos, ele já considera a despesa suficientemente elevada. “Se decidir rodar a mesma quilometragem usando álcool, vou gastar o dobro. Não compensa de jeito nenhum”, reiterou.
Para a advogada Fernanda Brasil, 29, o governo deveria adotar políticas de incentivo ao uso do etanol. “Infelizmente, o uso do combustível sustentável acaba sendo inviabilizado pelo custo muito alto, além de não render como a gasolina”, argumentou. Ela tem um flex há três anos e contou que nunca colocou álcool no tanque. “Nem faço mais as contas para saber qual dos dois combustíveis é melhor porque não tem como comparar hoje em dia. Apesar de o litro da gasolina estar caro, ainda vale a pena”, resumiu. (SR e ACD)
Avanço em uma década
Modelos bicombustíveis caem no gosto do público e viram maioria dos fabricados nos últimos anos.
Participação nas vendas de veículos leves no Brasil:
2003 4% 2004 22% 2005 50% 2006 68% 2007 86% 2008 87% 2009 88% 2010 86% 2011 83% 2012 87% 2013* 88%