Título: Direita no pós-Sarkozy
Autor: Queiroz, Silvio
Fonte: Correio Braziliense, 07/05/2012, Mundo, p. 12
Nicolas Sarkozy perseverou até a véspera, contagiou a equipe de campanha com seu empenho em virar o jogo e desmentir os institutos de pesquisa, mas ontem não esperou mais do que meia hora após as sondagens de boca de urna apontarem François Hollande como o vencedor do segundo turno. "A França tem um novo presidente. Foi uma escolha democrática e republicana", resignou-se, para em seguida pedir aos simpatizantes "respeito à instituição" e desejar êxito ao sucessor. "Eu me preparo para voltar a ser um francês como todos os franceses, um cidadão como todos os demais", completou.
O presidente assumiu "toda a responsabilidade pela derrota" da direita, que volta à oposição, depois de 17 anos, em pleno processo de redefinição. A União por um Movimento Popular (UMP), comandada pelo chefe de Estado nos últimos cinco anos, começa sob pressão a era pós-Sarkozy. Dentro de cinco semanas, enfrenta as eleições legislativas sob a sombra de uma arrancada poderosa da Frente Nacional (FN), de extrema direita, que saiu do primeiro turno da disputa presidencial com quase 18% dos votos. "Não se dividam, permaneçam unidos: temos de vencer a batalha das legislativas", apelou Sarkozy, para em seguida reiterar que não estará "no comando dessa campanha".
"Sarkozy é o responsável pela vitória de François Hollande, ele e os dirigentes da UMP", disparou a ex-candidata presidencial da UMP, Marine Le Pen. Ela rebatia críticas da porta-voz do presidente, Nathalie Kosciusko-Morizet, que acusara a ultradireitista pelo revés, por ter declarado voto em branco no segundo turno. Marine, que vislumbra a chance de levar a FN pela primeira vez a formar bancada na Assembleia Nacional, lembrou a recusa do comando da UMP a sinalizar com o apoio a candidatos da extrema direita nas legislativas, que na França são disputadas em dois turnos. "Isso foi muito bem compreendido pelos meus eleitores, aos quais eu dei a liberdade de votarem hoje (ontem) segundo a sua consciência."