Título: Encontro com Lula
Autor: Valadares, João; Machado, Ana Luiza
Fonte: Correio Braziliense, 22/02/2013, Política, p. 2
Ao ver todos os presidenciáveis colocando as cartas na mesa e preparando as estratégias do jogo para 2014, o PMDB também apressou-se em marcar território. Para evitar que qualquer negociação eleitoral tire a vaga de vice de Michel Temer na chapa de Dilma Rousseff à reeleição, o partido iniciou uma força-tarefa para garantir que estará no palanque da petista. Na festa do PT de quarta-feira, o presidente da legenda, Valdir Raupp (RO), fez questão de estar ao lado de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje, é a vez de o comandante da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), reunir-se em São Paulo com Lula para tratar da aliança.
O encontro de Henrique com Lula tem outras motivações paralelas, como a possível cassação dos deputados condenados no julgamento do mensalão — e o interesse dos petistas em fazer a Câmara colocar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em votação em plenário. Mas o assunto principal da conversa é eleitoral. “De hoje em diante, toda reunião que tiver é sobre 2014, não adianta querer enganar. Tudo é premeditado, planejado, vamos só respirar isso, daqui para a frente é sem fôlego”, confirma o vice-líder do PMDB na Câmara, Marcelo Castro (PI).
A movimentação do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), desde o início incomoda os peemedebistas. Os caciques do partido sabiam que a ameaça do pernambucano de ser candidato à Presidência poderia forçar o PT a negociar vagas para impedir o plano. Nas últimas semanas, integrantes do PT chegaram a ventilar a ideia de o partido apoiar Temer a candidatar-se ao governo de São Paulo, o que deixaria o caminho livre para Eduardo Campos na chapa. O próprio PMDB fez de tudo para desmentir a informação. “Nossa aliança se mantém encaminhada, ainda mais agora que todo mundo já sabe que o Eduardo vai se lançar à Presidência, está com uma boa imagem, não vai perder uma chance dessas nem que seja para afirmar o nome dele”, pondera Castro.
Na dúvida, o partido de Michel Temer prefere não correr o risco e trabalha para mostrar à cúpula petista que ele continua sendo a melhor alternativa. “Nada é impossível, mas a Dilma sabe que é difícil encontrar um vice como o Temer, que não cria problemas e é conciliador, e seria traumático se o vice não fosse do PMDB”, argumenta o peemedebista do Piauí.