Título: Três prioridades globais para mulheres e meninas
Autor: Kim, Jim Young
Fonte: Correio Braziliense, 06/03/2013, Opinião, p. 13

Nas últimas décadas, a situação das mulheres e meninas tem melhorado muito no mundo inteiro, mas muito resta a ser feito. O estupro cruel e a morte de uma jovem, em Nova Delhi, recentemente horrorizaram a todos nós e ressaltaram o quanto o mundo ainda precisa progredir para proteger mulheres e meninas. A violência é demasiadamente difundida – cerca de 510 milhões de mulheres vivas hoje sofrerão abuso de seu parceiro em sua existência.

E ainda há muitas outras estatísticas preocupantes: nos países em desenvolvimento morre uma mulher a cada 1,5 minuto durante o parto. O número de mulheres e meninas desaparecidas – em consequência de aborto seletivo e da mortalidade prematura – eleva-se a cerca de 3,9 milhões por ano. Menos da metade das mulheres tem empregos em comparação com quase quatro quintos dos homens.

O que podemos fazer para acelerar o progresso? Em antecipação ao Dia Internacional da Mulher, figuram a seguir três prioridades que devemos considerar para uma agenda global:

Assegurar que as mulheres tenham as liberdades básicas que merecem. Em mais de 100 países, homens e mulheres ainda não gozam de situação igual sob a lei – tais diferenças podem impedir que uma mulher abra uma conta bancária, consiga emprego sem autorização do marido ou possa ter uma propriedade. Na Tanzânia, no Marrocos e no Nepal, por exemplo, as filhas não têm os mesmos direitos de herança que os filhos. No Chile, nas Filipinas e na Costa do Marfim, a mulher não pode administrar uma propriedade conjugal em termos iguais aos do marido. E no Oriente Médio e no Norte da África, embora as mulheres tenham sido elemento central dos protestos durante a Primavera Árabe, hoje em dia alguns países estão sugerindo uma redução da idade legal do casamento e da descriminalização da mutilação genital da mulher.

Executar leis que prendem estupradores e aqueles que abusam da mulher. Cem países no mundo inteiro classificam atualmente o estupro como crime, mas metade deles ainda não criminaliza o estupro no casamento, e a aplicação de leis, neste sentido, é ainda débil. Como nos recordam as consequências da tragédia na Índia, as comunidades e governos precisam agir em conjunto para enfrentar limitações subjacentes, tais como baixa conscientização pública a respeito da natureza e da escala do desafio, bem como a falta de treinamento e sensibilização da polícia e órgãos judiciais.

Aumentar significativamente a expressão política da mulher. Apenas um em cada cinco parlamentares no mundo é do gênero feminino, demonstrando a necessidade de cotas e medidas mais amplas para melhorar a representação e a expressão política da mulher. As pesquisas mostram como as pessoas estão a favor de que as mulheres exerçam cargos políticos; no Oriente Médio e no Norte da África, por exemplo, 70% de entrevistados da Pesquisa Gallup concordam que as mulheres devem ter cargos de liderança política. Na África Subsaariana, a percentagem se eleva a 88%.

Nós, do Grupo Banco Mundial, continuaremos a impulsionar o progresso nessas áreas prioritárias. Uma forma como todos os leitores nos podem ajudar é coligindo melhores dados que meçam a igualdade para mulheres e meninas. Dispomos de poucos dados valiosos, por exemplo, sobre renda, propriedade de imóveis e expressão política. Já estamos melhorando a coleta de dados em 10 países em matéria de igualdade. Depois disso, examinaremos outros 10 países e ainda muitos outros. Além disso, o Grupo Banco Mundial está internamente tomando medidas para assegurar que cargos de liderança sejam igualmente equilibrados para mulheres e homens. Estamos empenhados em atingir essa meta em quatro anos.

Conseguir a igualdade para mulheres e para meninas é um desafio enorme. No Banco Mundial, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para assegurar que estejamos na vanguarda. Gostaríamos de receber sugestões sobre formas de avançar na agenda da igualdade de gênero com um renovado sentido de urgência.

* Presidente do Grupo Banco Mundial