Título: Petrobras: maior alta em 14 anos
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Fonte: Correio Braziliense, 07/03/2013, Economia, p. 14
Reajuste de combustível provoca salto de 15% nas ações ordinárias da estatal e leva a Bovespa a subir 3,56%
O aumento de 5% do óleo diesel nas refinarias, anunciado na noite de terça-feira, fez os papéis da Petrobras dispararem, ontem, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As ações ordinárias da estatal deram um salto de 15,16% e chegaram à cotação de R$ 16,41. Foi a maior alta em 14 anos — desde 10 de março de 1999. As preferenciais subiram 9,12%, cotadas a R$ 18,05, registrando a valorização mais expressiva desde 10 de dezembro de 2008.
Com a forte elevação dos títulos da petroleira, o Ibovespa, indicador que acompanha o desempenho das principais ações do pregão, avançou 3,56%, alcançando 57.940 pontos, no maior ganho diário em mais de sete meses. Num mercado à beira da euforia, o volume de negócios chegou a R$ 9,21 bilhões, superando a média diária dos últimos meses. Só as ações da estatal responderam por mais de um quarto do volume total negociado na bolsa.
"Como nos velhos tempos, a Petrobras levou o mercado todo para cima", constatou o gerente de Renda Variável da corretora H.Commcor, Ariovaldo Santos. "Mas ainda é muito cedo para falar numa reversão de tendência", advertiu. "O aumento do diesel foi um catalisador para motivar um ajuste nos preços das ações, que ainda estão muito aquém do que a companhia poderia estar valendo", analisou o sócio-diretor da AZ Investimentos Ricardo Zeno, no Rio de Janeiro. Até o dia anterior, a estatal registrava pesadas perdas no ano: 27,1% nas ordinárias e 15,16% nas preferenciais.
Segundo operadores, o otimismo com a Petrobras pegou boa parte do mercado apostando na queda da bolsa, o que motivou fortes movimento de compra de ações para zerar posições "vendidas". Nesse cenário, a preferencial da mineradora Vale saltou 5,97% e a ordinária da OGX, 5,04%.
O reajuste do diesel — o segundo neste ano — surpreendeu o mercado. Poucos acreditavam que o governo federal autorizaria novo aumento de combustíveis num momento em que é cada vez maior a preocupação com o avanço da inflação. Após o anúncio da medida, diversas instituições ajustaram para cima suas expectativas para os resultados da estatal.
A Planner Corretora estimou que a correção dos preços vai reforçar o caixa da empresa em R$ 3,8 bilhões neste ano. O Itaú BBA calculou um impacto positivo de R$ 3,1 bilhões em 2013 e de R$ 3,8 bilhões em 2014. "O aumento não elimina as incertezas sobre o balanço da Petrobras, mas certamente ajuda", assinalou comunicado distribuído pelo banco.
Recorde Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, principal referência da Bolsa de Nova York, atingiu mais um recorde, ajudado pelos dados positivos sobre o nível de emprego. Na véspera, o indicador já havia recuperado o patamar de meados de 2007, antes do início da atual crise global. Ontem, teve nova valorização, de 0,11%. Os investidores mantiveram a confiança na economia com base na informação de que, em fevereiro, as empresas contrataram trabalhadores além do esperado.