Título: Experiência ambígua com os EUA
Autor: Craveiro, Rodrigo
Fonte: Correio Braziliense, 07/03/2013, Mundo, p. 20
As duras críticas de Hugo Chávez aos norte-americanos sugerem relações econômicas frias. Nada mais longe da verdade, porém. “Em comércio, não há ideologia”, afirmou o presidente da Associação dos Exportadores Brasileiros (AEB), José Augusto de Castro.
Em 2011, dados mais recentes disponíveis, os Estados Unidos compraram da Venezuela US$ 43 bilhões em produtos — US$ 42 bilhões em petróleo — e venderam US$ 12 bilhões, em um pauta que incluiu máquinas (US$ 3 bilhões), equipamentos elétricos (US$ 1,7 bilhão), produtos químicos (US$ 1,3 bilhão), instrumentos ópticos e médicos (US$ 810 milhões) e veículos (US$ 682 milhões).
Diferentemente do que ocorre no comércio com o Brasil, no caso dos Estados Unidos, a Venezuela tem superavit, de US$ 31 bilhões. Quando se levam em conta os serviços, a diferença cai para US$ 26 bilhões. As informações são do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, que equivale ao Ministério de Comércio Exterior em outros países. A Venezuela e os Estados Unidos mantêm grandes embaixadas, respectivamente, em Washington e Caracas. Na escalada da tensão, diplomatas que serviam nas duas representações tiveram que voltar para casa, expulsos pelo país hospedeiro. Chávez também limitou a compra de produtos norte-americanos e colombianos, por desavenças com os dois governos. Os brasileiros ocuparam esse espaço.
Beneficiado Na primeira eleição de Barack Obama, em 2008, o então presidente venezuelano chegou a dizer que não via diferença entre ele e John McCain. Mas quando o encontrou na 5ª Cúpula das Américas, tentou uma aproximação e chegou a dizer que queria ser amigo do norte-americano. Paradoxalmente, a sede de petróleo dos Estados Unidos impulsionou o governo Chávez, permitindo-lhe promover uma pequena distribuição de renda que o tornou popular no país.
“Ele foi duplamente beneficiado ao tomar posse: partiu de uma base muito deprimida na economia mundial e de uma concentração de renda muito elevada em seu país”, explicou o economista da agência de classificação de risco Austin Rating. Em janeiro de 1999, o barril do petróleo tipo brent valia US$ 11,08. Subiu para US$ 133,90 em julho de 2008. Em janeiro deste ano, estava em US$ 112,93.