Título: Troca de direção nos partidos
Autor: Lyra, Paulo de Tarso
Fonte: Correio Braziliense, 03/03/2013, Política, p. 4
Os partidos aliados ao governo de Dilma Rousseff também enfrentarão, nos próximos meses, disputas internas para saber o rumo que tomarão em 2014. O PP, por exemplo, navega em águas tranquilas sob a presidência do senador Francisco Dornelles (RJ). "Ele é um anteparo fundamental diante do Paulo Maluf (SP), que nos constrange diariamente", defendeu um integrante da burocracia partidária.
Mas Dornelles enfrenta desconfianças no partido. Ele é tio do senador Aécio Neves (PSDB-MG), provável candidato da oposição nas eleições presidenciais do ano que vem. Em 2010, ele chegou a ser cotado para vice na chapa do PSDB caso Aécio fosse o candidato. O PSDB escolheu José Serra (SP) e ficou sem o tempo de televisão do PP. Mesmo assim, alegando respeito à democracia interna, Dornelles decidiu que o partido não apoiaria formalmente a candidatura de Dilma Rousseff.
A ala dilmista do partido defende uma troca de direção. O grupo já comanda a liderança nas duas Casas e o Ministério das Cidades, com Aguinaldo Ribeiro (PB). Para evitar problemas, um grupo negocia uma candidatura alternativa para assegurar a aliança formal com o PT em 2014. Aliados de Dornelles defendem a manutenção das coisas como estão. "A aliança formal nos trará problemas nos estados onde somos mais fortes e marcharemos contra o PT — Minas e Rio Grande do Sul", afirmou o pepista. "Além disso, Dornelles já avisou que, caso Aécio seja confirmado candidato pelo PSDB, licencia-se da presidência do PP para evitar constrangimentos", disse o dirigente do PP.
Em outras legendas aliadas, a disputa interna está bem mais intensa. No PDT, por exemplo, a instabilidade poderá custar a vaga do ministro do Trabalho, Brizola Neto. Ao ser indicado em 2012, ele prometeu à presidente Dilma pacificar internamente o partido. Não conseguiu. O atual presidente Carlos Lupi segue fazendo jogo duplo — ou triplo — participando de eventos do PT, conversando com o PSDB e flertando com uma possível candidatura presidencial de Eduardo Campos pelo PSB.
O PTB reconduziu, em agosto do ano passado, o deputado cassado Roberto Jefferson (RJ) para a presidência do partido. A descoberta de um câncer, a necessidade de uma cirurgia delicada e um longo tratamento levaram-no a licenciar-se do comando partidário em nome do ex-deputado Benito Gama (BA). Mas aliados do governo afirmam que é ruim para o partido ser presidido por um réu condenado no mensalão. Jefferson terá que cumprir 7 anos e 14 meses de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção passiva.