Título: Pesar internacional
Autor: Kleber, Leandro
Fonte: Correio Braziliense, 08/03/2013, Mundo, p. 17
Considerado um dos maiores líderes políticos do século 21, Hugo Chávez recebeu em seu velório homenagens de pelos menos 33 chefes de Estados de países da América Latina, da Europa e da Ásia. A presidente Dilma Rousseff, acompanhada do ex-presidente Lula e do governador da Bahia, Jaques Wagner, chegou ontem à capital da Venezuela no mesmo voo. Eles seguiram para a residência oficial da embaixada brasileira no começo da tarde e, às 20h (horário local), foram para a Academia Militar de Caracas, onde é realizada a cerimônia fúnebre oficial de Hugo Chávez. De acordo com a agenda oficial da Presidência da República, Dilma retornou ao Brasil no fim da noite.
O presidente de Cuba, Raúl Castro, amigo de Chávez, também desembarcou em Caracas ontem. Afirmou que o aliado, submetido a tratamento médico na ilha da América Central nos últimos meses, morreu “invicto, invencível e vitorioso”. “Ele entrou pela porta da frente da história (…). O mais importante é que partiu invicto, partiu invencível, partiu vitorioso e isso ninguém pode tirar, isso esta gravado na história, introduzido na história”, afirmou o irmão de Fidel à televisão cubana antes de ir à Venezuela.
Milhares de trabalhadores cubanos também prestaram homenagem ao presidente venezuelano ontem na Praça da Revolução, em Havana, a mais emblemática de Cuba, e em outros locais da ilha. O governo preparou homenagens durante todo o dia nas principais praças do país, honra até então reservada para homenagear os líderes históricos da Revolução Cubana, a fim de se despedir do principal aliado político e benfeitor de Cuba nos últimos 14 anos.
Outro aliado de Chávez, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, também anunciou que participaria do funeral. A Venezuela, por exemplo, é a principal aliada do Irã na América Latina. Os dois países, contrários aos Estados Unidos, desenvolveram relações econômicas e políticas nos últimos anos. Ahmadinejad afirmou logo após a morte do líder venezuelano que ele era “mártir por ter servido ao seu povo e protegido os valores humanos e revolucionários”. O governo iraniano decretou luto nacional na última quarta-feira.
Legado Os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, do Uruguai, José Mujica, e da Bolívia, Evo Morales, foram os primeiros a chegar à Venezuela, na quarta-feira. Eles compareceram ao salão de honra da Academia Militar de Caracas, para onde foram levados os restos mortais de Chávez. Também confirmaram presença representantes de organismos multilaterais, como a Aladi, o Mercosul, a Unasul e a OEA. Seis ministros de relações exteriores de nações europeias estarão presentes ao funeral.
O chanceler da Venezuela, Elías Jaua, afirmou a uma emissora de televisão venezuelana que a presença de chefes de Estado “é um testemunho do reconhecimento do peso (político) de Hugo Chávez, que nos deixa como legado uma Venezuela com peso próprio no mundo, respeitada por ser um país soberano, independente, que defende a união latino-americana e caribenha e a democratização das relações internacionais.
Além do avião presidencial, uma aeronave brasileira desembarcou em Caracas com parlamentares do Congresso Nacional, entre eles o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e José Guimarães (CE), líder do PT na Câmara.