Título: Três perguntas para Luiz Alberto Gomez de Souza
Autor: Amorim, Diego
Fonte: Correio Braziliense, 13/03/2013, Mundo, p. 18
Sociólogo e diretor do Programa de Estudos Avançados em Ciência e Religião da Universidade Cândido Mendes (RJ)
O que motiva os pontífices na escolha do nome? Varia muito. Às vezes, ele escolhe o nome de um papa antecessor ao qual esteve ligado, como fez Pio XII ao suceder Pio XI. Outras vezes, ele vai mais fundo na história, como no caso entre João XXIII e João XXII, separados por séculos de diferença. Bento XVI decidiu fazer uma homenagem a Bento XV, um papa do século 20, entre os anos de 1914 e 1922. Quando apareceu a fumaça branca (no conclave de 2005), eu estava em uma reunião e disse a meus colegas: “Não sei quem será o papa, mas será Bento XVI”.
Como o senhor sabia? Na época, perguntaram se eu era um advinho. Expliquei que o novo papa não seria Pio, porque já havia muitos com esse nome, até o 12º. Nem poderia ser João ou Paulo, para não dar continuidade imediata a João XXII e Paulo VI. Muito menos João Paulo, já que tínhamos tido dois com esse nome. Então, quem havia sobrado entre os papas importantes do século 20 era Bento XV. Foi um papa muito interessante, que abriu a Igreja e foi o papa da paz. Pensei que aquele poderia ser um bom nome. Foi um jogo de eliminação e sobrou Bento XV.
Mas pode ser um nome que não tenha nada a ver com anteriores? Sim, pode ser um nome de um papa mais antigo ou uma criação totalmente nova. João Paulo foi novo, não tinha existido outro. Depois, claro, teve o segundo. Mas o primeiro quis juntar um pouco do que seria uma continuidade do trabalho de João XXII e de Paulo VI. Mas ele foi papa apenas por 33 dias. Quando veio o novo pontífice, o Karol Wojtyla, da Polônia, ele escolheu dar continuação ao anterior. O primeiro havia ficado tão pouco tempo que merecia o segundo.