Título: Falha na distribuição da riqueza
Autor: Castro, Giselle; Mariz, Renata
Fonte: Correio Braziliense, 15/03/2013, Brasil, p. 7
Ao ajustar o índice de Desenvolvimento Humano do Brasil à desigualdade social do país, o indicador cai significativamente, de 0,730 desce para 0,531. Com esse cálculo, o país perde 12 posições, fica em 97° lugar no ranking. A queda na nota é de 27,2%. Para o professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) Marcelo Medeiros, o indicador mostra a dificuldade de um país rico em compartilhar os bons resultados da economia com a população. "O Brasil não esfâ nas primeiras posições, como fica na comparação de Produto Interno Bruto (PIB), porque é muito desigual. É muito bom em produzir riqueza, mas ruim em distribuir a riqueza", argumenta. Segundo ele, é por essa diferença que países mais pobres saem na frente do Brasil na lista do IDH.
Apesar de não levar em consideração os resultados mais recentes das políticas de combate à miséria no cálculo do IDH, o relatório do estudo indica que o país tem se destacado nesse quesito. Medeiros acrescenta que a desigualdade no país começou a diminuir no fim da década de 1990 e até agora não parou. "A aceleração positiva foi nos anos 2000. A questão da próxima década será como retomar a queda da desigualdade em um ritmo alto. Isso vai ser mais importante que fazer a economia crescer."
O representante-residente do Pnud e coordenador do sistema ONU no Brasil, Jorge Chediek, ressaltou que o país tem evoluído na questão do acesso aos indicadores de saúde, educação e renda. "A tendência de redução da desigualdade é positiva. Nos últimos 20 anos, ela tem caído substancialmente no país." Entre os destaques, o relatório aponta os programas de transferência de renda, ao custo de menos de 1% do PIB, como os principais motivadores desse resultado.