Título: Trigo sem imposto
Autor: Bancillon, Deco; Hessel, Rosana
Fonte: Correio Braziliense, 19/03/2013, Economia, p. 8
Diante da quebra da safra de trigo na Argentina, principal fornecedor do produto ao Brasil, o governo zerou, por quatro meses, a alíquota do Imposto de Importação do grão a fim de evitar aumento no preço de massas, biscoitos, pães industrializados, e, principalmente, do pãozinho do café da manhã do brasileiro. O reajuste desses produtos pressionaria ainda mais a inflação, que já está perto do teto da meta, de 6,5%.
A medida entra em vigor em 1º de abril e vai até 31 de julho, quando retornará o imposto normal de 10% para o trigo importado de fora do Mercosul. “O objetivo é garantir o abastecimento e evitar pressões inflacionárias”, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). O governo limitou a um milhão de toneladas a quantidade do produto a ser desembarcada no país.
“A medida ajudará a minimizar futuros reajustes, mas não deve anular a possibilidade de aumento nos preços das massas e dos pães”, comentou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias, Pão & Bolo Industrializado (Abima), Cláudio Zanão.
“O Brasil consome 10 milhões de toneladas de farinha de trigo por ano e produz apenas metade disso. Com a quebra da safra argentina, haverá um deficit de 2 milhões de toneladas, que terão de vir de mercados mais distantes, com custo maior”, explicou Zanão. Ele lembrou que, devido à queda na produção mundial, o preço saltou 40% em 2012 e já subiu 10% neste ano, o que praticamente anula o corte de 9,25% de PIS-Cofins anunciado em 8 de março pela presidente Dilma Rousseff.
Para piorar, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), da Fundação Getulio Vargas, subiu para 0,63% na segunda quadrissemana de março ante 0,52% no período anterior, confirmando que o repasse da desoneração da cesta básica ainda não ocorreu. “O sistema tributário é muito complexo e é preciso tempo para negociar as reduções”, disse o empresário, acrescentando que, dificilmente, a queda no preço será igual ao percentual desonerado.