Título: PSD no governo, só em 2015
Autor: Lyra, Paulo de Tarso
Fonte: Correio Braziliense, 21/03/2013, Política, p. 6

Após mais uma rodada de conversas com diretórios estaduais do partido — ontem, a reunião envolveu representantes do Pará, de Mato Grosso e do Ceará —, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, reiterou que a agremiação apoiará a reeleição da presidente Dilma Rousseff, mesmo não tendo sido convidada oficialmente para indicar nomes para o atual ministério.

“No momento em que o partido exterioriza sua posição, começa a definir o encaminhamento das suas posições nos seus estados, essa posição nacional é muito difícil reverter, até porque o processo político — a engenharia das alianças, das coligações — é muito complexo. E não faria nenhum sentido, embora ainda falte muito tempo para as eleições de 2014”, argumentou Kassab.

Segundo ele, os diretórios de São Paulo e do Amazonas também têm posição bem clara, apesar de ainda não terem oficializado o apoio a Dilma em 2014. Kassab deve lançar-se candidato ao governo de São Paulo, munido de pesquisas qualitativas internas mostrando que a avaliação do atual governador, Geraldo Alckmin, está no pior nível de aprovação dos últimos três anos.

Segundo o líder do PSD na Câmara, Eduardo Sciarra (PR), a decisão de independência da legenda reflete-se no Congresso. O partido não terá assento no colégio de líderes alinhados ao governo e permanecerá livre para votar com o Planalto apenas nos momentos em que achar que as propostas não ferem os princípios da legenda. “É mais ou menos como acontece hoje. Votaremos com o governo no momento em que acharmos que é uma proposta boa para o país”, justificou o parlamentar paranaense.

Dilma reuniu-se na semana passada com Kassab e ouviu dele que o partido não queria nenhum ministério neste momento. Parlamentares apoiaram a proposta feita pelo presidente, que embutia a queixa de que a cota oferecida à legenda — o recém-criado Ministério da Micro e Pequena Empresa — é pequena demais para um partido que tem 51 deputados, a terceira maior bancada da Casa e um tempo de televisão de 1 minuto e 39 segundos para oferecer aos candidatos presidenciais em 2014. “Ficamos satisfeitos de não participar de coisa pequena no governo. Nascemos grandes e não devemos pensar micro”, argumentou o deputado Júlio César (PSD-PI).

O ex-prefeito chegou a dizer à presidente que, se ela quisesse indicar o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, para a nova pasta, poderia fazê-lo desde que fosse na “cota pessoal” de Dilma. Nem o Planalto nem os demais partidos da base aliada gostaram da posição do PSD. Mas, diante da situação, outras legendas já se movimentam para ocupar o espaço vago deixado por Kassab na Esplanada. (PTL)

PCdoB anula cassações de 1948 O PCdoB conseguiu aprovar ontem, na Câmara, projeto que declara nula uma decisão da própria Casa que cassou o mandato de 14 deputados do partido, em 1948. Entre os cassados estavam o guerrilheiro Carlos Marighella, o escritor Jorge Amado e João Amazonas, antigo líder da legenda. Com isso, a Câmara reconhece simbolicamente os mandatos. No ano passado, a Comissão da Verdade do Legislativo fez o mesmo em relação a mais de 600 deputados federais que também haviam sido cassados pelo regime militar após o golpe de 1964.