Título: Sonegação de R$ 1 tri
Autor: Batista, Vera
Fonte: Correio Braziliense, 22/03/2013, Economia, p. 19
Os números da sonegação fiscal no Brasil são impressionantes, segundo pesquisa do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), em parceria com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Anualmente, o montante de recursos desviados por fraudes fiscais ultrapassa os R$ 200 bilhões. "Se contarmos o que tem de renda que não é declarada, o valor chega a mais de R$ 1 trilhão", reforça Allan Titonelli, presidente da entidade. O grande número de impostos e o complicado sistema tributário abrem as portas para ações dessa natureza, afirma.
"A injustiça fiscal é contundente para a parte menos protegida da sociedade. Quem ganha até dois salários mínimos paga 49% dos rendimentos em tributos. Quem ganha acima de 30 salários paga 26%", afirma Titonelli. Isso acontece porque o sistema brasileiro tributa o consumo e não a renda. Ou seja, cada vez que o cidadão compra um produto, independentemente do seu rendimento, desembolsa o mesmo valor em tributos que outra pessoa com condições financeiras superiores à dele. O resultado é a perpetuação da desigualdade e o agravamento da lacuna entre ricos e pobres: cerca de 75% da riqueza do país está concentrada nas mãos dos 10% mais abastados.
De acordo com o Sinprofaz, o Brasil está entre os 12 mais desiguais do mundo, atrás da Macedônia, Malásia, Camarões, Colômbia, Venezuela e Camboja. Por outro lado, a carga tributária do país corresponde a 36% do Produto Interno Bruto (PIB). Países com mesma renda per capita têm relação de 20% do PIB. Por isso, os brasileiros são obrigados a trabalhar mais de quatro meses por ano só para pagar impostos, nos cálculos do IBPT.
Para resolver os problemas da sonegação, a entidade propõe a eliminação de várias impostos sobre o consumo.