Título: BC pode agir para conter índices
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Fonte: Correio Braziliense, 23/03/2013, Economia, p. 14
O Banco Central continua preocupado com a inflação e poderá agir para conter a alta de preços, se for necessário, disse ontem o presidente da instituição, Alexandre Tombini. Falando a empresários na Câmara de Comércio França-Brasil, na capital paulista, ele admitiu que o processo inflacionário ganhou resistência e disse que o BC vai acompanhar a evolução da situação econômica para decidir os próximos passos da política de juros.
A simples mudança de discurso da autoridade monetária, no entanto, acrescentou Tombini, já provocou mudanças importantes nas expectativas dos agentes financeiros. Ele se referia ao comunicado distribuído logo após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no início deste mês, do qual foi suprimida a indicação de que a taxa básica de juros (Selic) seria mantida nos atuais 7,25% “por um período de tempo suficientemente prolongado”.
A mudança foi interpretada como um recado de que a Selic pode ser elevada em breve, o que resultou em alta dos juros nas operações de mercado futuro. “A comunicação é parte importante do processo de condução da política monetária. O ajuste na mensagem do Banco Central, por si só, já determinou mudança relevante nas condições financeiras de modo geral”, disse Tombini, ontem.
O presidente do BC voltou a frisar que a instituição agirá com cautela, apesar das pressões inflacionárias crescentes dos últimos meses. “Ações foram tomadas, mas é plausível afirmar que outras podem ser necessárias. Para decidir sobre isso, o Banco Central vai acompanhar a evolução do cenário macroeconômico”, afirmou.
A inflação, porém, preocupa, principalmente porque a maior parte dos produtos e serviços acompanhados pelas pesquisas tem tido comportamento de alta. “A grande dispersão recentemente observada de aumentos de preços ao consumidor, pressões sazonais e pressões localizadas, entre outros fatores, contribuem para esse quadro de maior resistência”, avaliou Tombini.
Câmbio A política de câmbio continua sendo flexível, mas o BC estará sempre pronto a intervir no mercado para corrigir problemas de liquidez, disse ainda o comandante da autoridade monetária. Segundo ele, a instituição não vai deixar que o câmbio seja um empecilho para a economia. “Temos também dito que entraremos no mercado para evitar volatilidade excessiva”, assinalou.